terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Quem sou eu?

Deus me abençoou nesta madrugada com uma santa insônia . Insanos sonhos. Sonhei que era mamãe de uma menina (de novo) e a colocava para dormir, junto com outros tantos bebês e mamães e papais... todos inexperientes. Menos eu! Eu sabia o que fazer para minha neném dormir. No sonho, como foi na realidade , eu a amamentava. Minha filha se alimentou de mim até dois anos e 3 meses. Eu já discutia com ela que não ia expor meus seios na frente dos outros. Mas ela insistia e chorava. Sua maior alegria e consolo era mamar! E os mamíferos são tão dóceis...

Liguei a TV depois do sonho, afinal estava tudo muito tumultado e, assisti, finalmente, o show inteiro do Jeff Beck com a guria "Tal". Tal me deixou tão maravilhada, além dos outros músicos, todos consagrados já. Eu me vi ali naquele baixo de 4 cordas, em mãozinhas tão pequenas,  da branquelinha miúda, tão linda, que parece ter saído de um conto de fadas. E conto de fadas é o que ela toca gente! A mina sabe tudo de condução, educação, levadas em tempos inusitados, como um 5 por 4, ou 7 por 4 em algum momento da música.
Eu já a tinha visto antes pelo youtube, mas desta vez vi todo o show. A moleca não perde a pose em nenhum momento. Segura todas e conduz um big show instrumental,  com nada menos que  Vinnie Colaiuta, um dos maiores bateras do mundo.

Lembrei-me de quando tinha talvez a idade dela, nos idos anos 80,  eu tinha 15, 16 anos e ouvia música instrumental sonhando ser uma grande pianista de jazz. Já era conveniente o piano, pois eu já o dominava de certa forma. E eu sempre era a caçula, a única mulher no meio de um monte de músicos fantásticos.  Assim como Tal.

Mas meu sonho mesmo sempre foi ser baixista. Que outros rumos minha vida tomou. Nem um, nem outro. O piano da minha infância, que meu pai me deu, sempre foi usado para compor canções. Diversas. Instrumentais, com letra... com poesia... em parceria... e fui fazer algo que eu acho que não imaginaria nunca na vida. Cantar! Meu irmão mais velho sempre teve uma voz privilegiada, mas quem sempre cantou em igrejas, congressos, festas, casamentos, foi minha irmã mais velha que eu, que já está noutro lugar. (bem melhor que este...)

E sigo cantando há longos anos. Fazendo backs, o que amo e gravando uma música aqui e ali com minha voz. Uma vozinha pequena. De bossa nova. Nada surreal...

A menina que tocou hoje me sugou "tal" (Tal é mesmo o seu nome) qual minha filha o fazia quando neném e o faz hoje.
Quem eu sou afinal?  Sim, até pouco tempo eu tinha um nome. Sem fama, nem frescuras. Não gosto destas coisas... O palco é apenas uma maneira de dizer a Quem pertenço e à que vim. Meu menino de 21 e minha menina de 17 sobem comigo e exercem o mesmo ministério, junto com meus irmãos, cunhadas, sobrinhas e, acreditem ou não, meu sobrinho que nem fez um ano ainda, canta no colo de alguém os agudos e os graves. Escuta música clássica, pára de fazer qualquer coisa quando toca uma música instrumental na TV. Ele ama aquilo.  Dorme ouvindo Dino Kartsonakis, um pianista virtuosíssimo, ou mesmo meu irmão caçula, o pai da criança, que toca piano tão lindo quanto os "Dinos" e acompanha sua mãe em apresentações, audições, concertos, pois é maestrina, violinista e excelente educadora musical. Ele certamente vai querer um violino logo, logo...

A música corrre nas nossas veias. Nenhum de nós pediu isto... aconteceu... 

Somos de uma família de músicos, criados na igreja, cantando em vozes, desde bebês. Ninguém nunca estudou. Tirávamos músicas instrumentais de fitinhas K7, o que era complicado, porque, na maioria das vezes, a rotação não estava na afinação correta. Que loucura! Hoje a molecada tem tudo nas mãos. Escuta uma canção, já baixa na net, tem partitura, ou uns sinais mostrando como se toca. E, para minha surpresa, minha sobrinha aos 11 anos, sem nunca ter estudado antes, já tocava Bach "de ouvido".
Quem sou eu ? pergunto novamente! Nada!
Não sou nada e cada dia me sinto menos, porém melhor. Melhor aqui dentro. No coração e alma. Estou mais sossegada. Prefiro ouvir a fazer. Talvez um pouco de preguiça mesmo ou canseira!

No natal, pedi minha filha que cantasse uma canção que amo. "Wall is well". (Tudo está bem!). Ela cantou em inglês, com  o playback entregue minutos antes, por email, feito pelo pai dela. Lindíssima execução. Como  a original. Ele também é músico dos melhores. Quando minha filhinha começou a cantar, aconteceu algo muito especial... Como se uma orquestra e coral de anjos se juntassem àquela voz fenomenal. Fui sugada. Arrebatada. Eu que já a amo com toda minha vida, me apaixonei novamente por cima do amor que já sinto e pensei que ia morrer de tanta emoção.
Minha filha me esmagou tecnicamente, no talento, interpretação, beleza na dicção da língua inglesa, em absolutamente tudo! Ela é mil vezes superior a mim. Eu virei uma pulguinha perto dela.
Que coisa incrível e linda! Deixa a morena cantar... Deixa a branquelinha tocar o baixo. Acho difícil que saia do 4 cordas, porque ela é tão pequenininha... Mas nem precisa! Ela faz o baixo dela soar 40 cordas! Deixa a meninada mostrar o que é fazer som com responsabilidade e beleza.
E quem tem competência, que se estabeleça logo porque eles já nascem sabendo de tudo! E tá tudo dominado! (sorriso feliz...)

Graças a Deus!
Bendita seja minha filha, nossos filhos, as crianças, bendita seja Tal!! E quer saber?
EU ME RENDO!

Gláucia Carvalho (ou melhor, glaucinha)

madrugada de 3 de janeiro de 2012.

(dedico à imortalidade da minha analfabeta avó que rimava tudo que encontrava, à minha mãe, que é uma artista, escritora, atriz (excelente advogada - tem que saber atuar!), meu pai, o melhor organista que conheço, também pianista compositor e sanfoneiro, meus sogros e cunhados, todos tocando e cantando para Deus e aos meus filhos e sobrinhos que me esmagam diariamente com seus talentos, seus conhecimentos e simplicidade.)

"De todas as virtudes deles todos, a que mais amo, é a simplicidade!"

*Como a dos melhores músicos do mundo que conheço pessoalmente, dos melhores escritores, artistas, das melhores PESSOAS, dos idosos, mais sábios que todos, assim como a simplicidade da "Tal". A bonequinha baixista que dá vontade de adotar e usar como chaveirinho... linda demais!

Um comentário:

J.F.AGUIAR disse...

Que história linda... fiquei sabendo sobre sua família,a vocação
musical: de pais para filhos, eu
chamaria de "Fruto sem Fim" Que emoção! vê seus filhos tocando,cantando...não há palavras
Seus filhos foram gerados ouvindo
músicas, sons de instrumentos...acalentos para dormirem... tudo isto com muito amor, carinho e as orientações do nosso Deus, A quem devemos toda honra e toda glória... Quando você
viu sua filha cantando... a doce lembrança vem como um filme... e você foi tomada pela emoção com toda razão...linda história!!!
Gláucia quando a conheci foi pela
poesia...não imaginava!! que eu em busca de uma pepita acabei achando
um tesouro de talento...A Poesia
me deu este presente... Gláucia
obrigado por sua amizade! Deus continue a produzir em sua vida "FRUTO SEM FIM"