quarta-feira, 15 de junho de 2011

Morrer é viver!

Olhei, miopia!
Cheirei, alergia!
Provei, azia!

Toquei, fobia!
Saí, histeria!
Corri, sangria!
Fugi, analgesia!
Morri, calmaria!

Gláucia Carvalho
10.3.2006


"Mas Deus sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo, - pela graça sois salvos..." (Ef. 2:4-5)

domingo, 12 de junho de 2011

Eu quero um amor




EU QUERO UM AMOR

Não sou perfeita, que desfeita!

Ousar um amor-mais-que-perfeito!
Isto é nome de filme, de flor,
Tatuagem imensa no peito,
Nos braços, nas pernas, pescoço,
Não existe! Não exija! Não implore!
Ninguém tatua o seu osso!

Ninguém desenha a face de outro,

Lá dentro da sua alma,
Nunca vi tatuado um romance,
Nas batidas de um coração!
O que é pele? Só pele, se arranca e nasce outra nova,
E tatua-se os novos e efêmeros amores, que se vão...

Não quero meu nome tatuado,

Não quero tolices de um príncipe encantado,
Prefiro sim, a raposa de “Saint-Exupery” que disse,
Sabiamente o que deveria dizer.
Não quero protocolos, frescuras,
A sensação de ir ao palco em cada encontro,
Maquiagens, máscaras, que agruras!
De não ser eu, no afã de simular um falso encanto!
Quero ser eu, de manhã, de tarde, à noite,
Quero ser eu, por toda a madrugada,
Quero andar descalça, não pentear os cabelos,
Usar a camiseta furada, amarrotada, do avesso!

Quero cantar quando tiver vontade,

Quer ouvir uma música mil vezes do começo,
Quero o respeito de em meu peito guardados,
Meus pais, filhos, irmãos, meus amigos sagrados,
Quero poder dividir-me com outros, com outras,
Com aqueles que precisem, necessitem de mim,
Sem ter um olhar perseguindo-me ferino,
E uma voz a dizer-me, entre um salmo e um hino,
Que eu devo ser o meu lado ruim!

Não, não! Já basta! Fui gasta, fui casta,
Fui caça de um leão que anda em derredor,
Quase fui tragada e estragada assim,
Clamei socorro ao que É Maior!
E num milagre, novo abate de ego,
Nova mulher, tal qual a menina de outrora,
Esta que fala agora: - Não sou perfeita!
Não aguardo um perfeito, que tatue em seu peito,
Meu nome como prova de amor!
Prefiro minha alma em sua alma,
Meus defeitos, minha calma, as virtudes, atitudes,
Meus segredos, medos, pecados, todos nele guardados,
E vice-verça, na mesma medida!
O meu selo, zelo e vida, tatuados por todos os lados,
Que não se vê, apenas se crê, se espera, suporta!
Nunca se trái, se tranca a porta,
Que vive a alegria e a dor!
Isto se um dia, quem sabe um dia,
Eu for ter, mais que um imperfeito amor!!

Perfeito mesmo, somente um!

Por ser Ele mesmo, o próprio amor,
Que aceita-me descalça, imperfeita,
Tal qual eu sou!
Que entregou-se por mim totalmente,
Como homem algum jamais o faria,
Desceu do trono à estrebaria,
Deus se fez homem e morreu,
Pra do escuro, trazer-me à luz
O amor perfeito já o tenho!
Tatuado em minha alma, JESUS!
Vivendo dentro em mim, JESUS!
E se minha pele eu vier deixar uma marca,
Eu quero que seja da cruz!


Gláucia Carvalho

10.2.2006

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Seria Salomão?
Nas rudes ruínas das riquezas de suas imensas conquistas, sabedorias,
Correrias atrás do vento e
nas entrelinhas de seus sábios pensamentos, tão notória solidão??? 


Gláucia Carvalho - Ago/2007

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Oleiro

Tudo é mistura escura
Mas quem faz vê mais que barro e pó
As palavras e atitude duras
Mostram casca feia
Mas quem faz o todo vê melhor

Quem faz já vê as formas
Quem faz já sonha planos
Quem faz sabe o que o barro pode ser
Se aquecido, batido, moído, tratado
Mexido, transformado, exposto, disposto a doer

O barro é só barro, se não há um artista
Que jamais desista do barro, por mais borros que tenha
Por mais erros e rasgos,
Este barro molhado, por suor do oleiro
Pode vir a ser vaso, pra caber mais que “um inteiro”
E jorrar coisas boas, mina d’água do oleiro
Água pura e boa, de quem viu mais que barro
Com seus olhos de oleiro
De quem faz mais que um vaso
Com suas mãos (e milagre) de oleiro!

Gláucia Carvalho
10.12.02

terça-feira, 7 de junho de 2011

Um pouquinho

Um pouquinho de tudo cairia bem
Um pouquinho de nada cai bem também!
Um pouquinho apenas pra adoçar,
Um pouquinho apenas pra salgar.

Um pouquinho de música

Aquela que é tão minha, tão nossa
Que meu coração dance de alegria e paz
Enquanto eu escuto um pouquinho de bossa.

Um pouquinho de amor,

Um pouquinho de afeto
Um pouquinho do que preciso,
Para sentir alguém por perto!

Um pouquinho e muito de carinho

Um tanto bastante de amizade,
Uma conversa fiada na cozinha,
Para eu não me sentir tão sozinha.

(tem alguém aí?)


Gláucia Carvalho

7.junho.2011

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Saudade

Ela nasceu no verão
E era feito flor,
Meus pais a chamaram Claudinha,
Eu a batizei de amor!

Ela se foi na primavera,
E me deixou sozinha,
Hoje eu a batizo de amor,
E choro a dor de Claudinha.

Gláucia Carvalho
4.junho.2011

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Vária

As vezes sou vária.
Numa condição de ser muitas em uma só.
Sinto saudade do meu minuto em sossego,
Depois que a vida deu um nó.

Um nó cego e sendo vária, cega fiquei,
Apenas para algumas coisas que não quero ver.
Mas mesmo sem querer, eu ainda vejo,
E distribuo em breves lampejos meus desejos.

Eles não sou eu, são apenas intrusos,
Que travam entre mim e mim uma luta crucial.
Eu exausta fico, a brigar comigo,
Sem comemorar quem ganha no final.

Se sou eu a vária se sou eu a que veleja,

Este oceano que em mim reside,
Com suas tempestades e suas calmarias.
Ah eu queria contar um pouco de dias,
Em que estou em paz comigo mesma.

Mas sinto ser impossível nesta terra,
Que se acerta, que se erra,
Não ser vária a tentar conter meu ser
Esta escreve algumas palavras,
A outra resiste bravamente ao que lê!


Gláucia Carvalho
2.5.2011