sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Menina

Eu era menina ainda,
Dormia com os cabelos sem pentear,
Vinha direto da rua, com os joelhos sangrando,
Com o vento engolido à fio, do dia que Deus dera...

Ai quem dera engolir mais ventos! 
Abraçar depressa a ventania,
Enquanto ela rodeia os sete mares,
E ainda nos presenteia em maresia!

Eu menina ainda era,
Quando a festiva primavera,
Me fazia "pegar emprestado" em alguns quintais,
Flores diversas para "Bouquets" fenomenais.

Normalmente dados a mãe da menina que eu era ainda,
Toda vida era bem-te-vinda,
Todo canto era sabiá,
Todo pomar era passarada,
E absolutamente todos sabiam cantar...

Que saudade da menina hera... 
Que em era sua existência transformou,
E se sonha , sonha em eras,
O que jamais se realizou.



Gláucia Carvalho
14.01.2011

domingo, 9 de janeiro de 2011


Nos olhos desta menina,
Sombras e luz no quintal,
Nos olhos desta menina,
Um multicor vendaval,
Nos olhos desta que cresce,
Já umas remotas lembranças,
Nos olhos da não já menina,
Parcas e curtas esperanças,
Nos olhos desta que já foi,
Menina, mãe e mulher,
Os desencontros são tantos,
Que ela já nem sabe quem é...
Na sua retina que ‘inda brilha
Ficou fina espessura do passado,
Uns cheiros, uns passos de dança,
E a voz dos seus amados,
Neste momento brilha a lágrima,
Nos olhos de uma mulher,
Que guardou tudo para agora,
E agora já não sabe quem é...
Nos olhos desta menina,
Ela de tudo sabia,
Hoje ela tenta reaver alguns sonhos,
Que se perderam em romarias.

Gláucia Carvalho
9.1.2011