sexta-feira, 27 de maio de 2011

Restos

As chamas ardem do que não sei.
Se pudesse abreviaria este tempo,
Onde não entendo o que irá ocorrer,
Se tudo foge à minha habilidade.
Resta-me da pureza a saudade,
...Resta-me não mais sonhar.
Restou o rascunho de uma melodia,
Mas ela me fazia chorar.

  
Gláucia Carvalho
27.maio.2010

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Dor

Ó dor, ó dor que num instante aflora,
Que jamais vai embora,
E maltrata a carne minha.

Ó dor, que dor é esta,

Que me deixa sozinha,
Que me deixa exposta
E indisposta também!

Ó dor que não me dá um tempo,

E me deixa sem tempo,
Para não fazer nada.

Você está brincando comigo,

O seu subjugar é piada!
Porém não sorrio e também não choro.

Eu apenas me escoro,

Num abraço de afeto,
Que te queima direto,
E te afasta, por alguns instantes, de mim.

Ó dor eu te imploro um trato,

Tome conta dos retratos,
E deixe-me em paz.

Nosso convívio me adoece,

E você sequer esquece,
Que não me pediu permissão para doer.

Faça-me este favor,

Antes que em agonia eu literalmente diga,
Que se pode morrer de dor!

Gláucia Carvalho

25.5.2011

domingo, 22 de maio de 2011

O ladrão, minha filha e eu

Um telefonema à cobrar. Eu ainda estava na minha cama, nesta manhã fria em Brasília.
Sabia que era minha filha, pois tinha dormido na casa de uma amiga. Sua voz estava embargada e eu pressenti que havia algo errado.
Abri o portão e ela deu-me a notícia chorosa: - mãe um cara me falou, entrega sua bolsa e ela acertadamente, como sempre foi instruída,
nem olhou na cara do sujeito. Entregou a bolsa. Passiva, estática, sem conseguir absorver os sentimentos que aflorariam. A vontade de chegar em casa,
a insegurança, o medo, o pavor de que ele a seguisse.
Havia coisas de valor em sua bolsa. Presentes do pai, dinheiro, seus documentos, mas o principal foi junto. A sua integridade e a confiança de poder ir e vir com liberdade.
Minha primeira reação foi ajoelhar-me diante dela e orar.
Agradecer a Deus por tê-la preservado de qualquer outro mal, que acontece todos os dias, em todos os momentos. Chorei com ela. Mas não foi um choro de tristeza. Não da minha parte. Foi de alegria. Minha filha está em casa segura comigo.
Depois de um tempo, um tempo em silêncio enquanto ela comia alguma coisa, eu só consegui dizer: - não quero mais viver aqui. Quero ir embora deste lugar. Quero viver com um mínimo de segurança e tranquilidade. Quero não ter que ter cerca elétrica na minha casa, portões altos, um medo desmedido de que as vítimas tão comuns, estampadas nos jornais aqui, sejam um dos meus filhos.

Orei novamente em meu quarto e Deus me falou por sua palavra. "Se o Senhor não edificar a casa, em vão trabalham os que a edificam. Se o Senhor não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela."


Meu coração já andava trancado para o lugar onde moro. Hoje, terceiro pior trânsito do Brasil, tendo apenas 50 anos. Brasília, a capital me deixou mal!

Entendo que por onde eu for e os meus, Deus ordenará anjos em nosso favor. Sei que Ele tem o controle de absolutamente tudo, mas penso que se temos a possibilidade, ínfima que seja, de ter uma vida mais tranquila, em um lugar onde se possa andar com segurança, devemos fazê-lo. Por nossos filhos, por nós mesmos.

Hoje há um misto de tristeza e decepção no meu coração, com o sentimento de alívio. Minha filha agora dorme, depois de chorar. Depois de chegar em casa cabisbaixa, vitimizada da falta de valores, do desprezo ao ser humano, impotência, especialmente da sua completa exposição, sem qualquer chance de perguntar: porque?


Eles simplesmente chegam, em plena luz do dia e te fazem refém. Tiram o que é seu. Violam sua liberdade.

Cansei! Da cidade grande, da loucura, da falta de consideração, respeito, amor! Cansei!
Lembro-me da minha cunhada, morando ainda em São Paulo, com um revólver na cabeça para entregar o carro que ela dirigia no trânsito louco. Era o terceiro roubo do seu carro em menos de 2 meses.  Minha sobrinha tinha apenas 2 aninhos e estava no banco de trás. Somente o milagre de Deus, fez com que, antes que os bandidos levassem a criança, ela conseguisse pegá-la por um espaço onde não passaria um gato! Sequer uma criança robusca, linda, cheia de vida.
Na mesma semana, ela anunciou a venda de sua casa e hoje vive em paz numa pequena cidade do interior.

É ser irracional querer ter um portão baixinho?  é ser tão absurdamente inflexível ao ponto de querer viver em paz?  Eu devo me sentir culpada por querer ir embora de um lugar, onde não consigo dormir enquanto meus dois filhos não estão dentro da minha casa?


Podem me chamar de exagerada, louca, talvez radical demais. Mas em um segundo, eu posso perder o que tenho de mais valor.

Prefiro não correr este risco, sabendo que todo o esforço que eu fizer para viver em um local tranquilo, por meus filhos, Deus estará conosco.

Não duvidem se nesta semana, eu colocar um placa imensa de VENDE-SE na minha casa.


Gláucia Carvalho

22.05.2011

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Coração

O meu coração não é terra de ninguém,
O meu coração tem dono!
Meu ser não está firmado em sorte,
Em cara ou coroa,
Em vida ou morte!

Alguém um dia bateu à porta da minha alma,

Com a calma de quem sabe amar,
Com o jeito mais suave e manso,
Com vida verdadeira a me ofertar!

Desde então eu pertenço intenso.

Desde então eu me ajoelho em devoção,
Por ter aberto a minha vida para quem é vida,
E trouxe tanta paz ao meu coração!

Desde então eu só sirvo a Ele,

Porque é D'Ele tudo o que tenho e sou,
E conto e canto para quem precisa ouvir,
Jesus é a realidade que o homem sonhou!

Gláucia Carvalho

19.maio.2011

quarta-feira, 18 de maio de 2011

O que será?

O que será? O que será?
De "amanhãs" está cheio o passado,
Nenhum minuto sequer pra prever,
Se vou viver, se vou morrer!
Se terei pouco, ao menos um bocado,
Mesmo sem presa, depressa vou correr,
Correr para o futuro que não sei,
Correr do passado que passei,
Correr pra não ver, pra não ter,
Nenhum minuto a mais que planejei,
Sem mais minutos vou perdendo,
Os mesmos minutos que vão por mim correndo!
Quem diria, quem dirá,
O que será, o que será?
Quem me dera estar lá,
Antes mesmo de chegar,
Assim eu mais proveito teria,
Quem diria, quem diria?
Que eu tão depressa cresceria,
E não veria, não teria,
Mais pôr-de-sóis, mais ventanias,
Menos bobagens, mais cantorias,
Menos contagens, menos sangrias,
Bem mais risadas, mais alegrias!!


Gláucia Carvalho
30.3.2005

domingo, 8 de maio de 2011

MÃE

Mãe!
Quantos segredos esta palavra guarda,
Quantos minutos meu ser te aguarda,
Na ânsia de tê-la eterna para mim!

Mãe!

Quantos medos e dores foram por ti sanados,
Quantos machucados por ti sarados,
Quantas vezes do mal esqueci!

Porque a sua presença me cura,

Os meus ais afagados por tuas misturas,
Fazem-me entender o amor desmedido,
Aquele que não faz sentido,
Até que se tenha filhos para saber!

Mãe a vida começa contigo,

Mãe que é afago e abrigo,
Mãe, onde encontro a melhor amiga,
A mais querida, a mais antiga...

Mãe, Mãe, Mãe,

Não tenho palavra, sequer uma rima,
Para aquela que me nota as primeiras rugas,
E mesmo assim me faz sentir uma menina!
(Te amo Gercira ROSA Carvalho e Silva - MINHA MÃE!)

Gláucia Carvalho

8.maio.2011

segunda-feira, 2 de maio de 2011

A vida se revela, vela!
Que se apaga num instante,
Ou dá direção ao barco à deriva...


A vida se revela leva,
Muitas vezes o que temos de melhor...
A vida nos prega peças, teatro!
Eu vou seguindo no ato, em que a VIDA se revelou a mim!


A vida revelada em Cristo,
Jamais imaginei que nisto,
Estaria toda a minha inabilidade de ser!


A vida se revela em Cristo agora,
As revelações de outrora,
Tornaram-se pó, diante da glória bendita!


A vida se revela e é bela,
Quando ele é vela que não se apaga,
Flor que jamais fenece,
Amor que nunca se esquece!


Gláucia Carvalho
2.maio.2011