sexta-feira, 15 de julho de 2016



uma poesia pequena.
Poucas palavras. Resumo:
- se não estou, eu sumo!
se não quero, não me espere,
a vida é breve.
A vida é puro movimento,
Se não aqui, estarei lá, noutro momento.


terça-feira, 21 de junho de 2016


a gente conta,
a gente canta,
vive e esquece...


a gente se dobra,
se desdobra,
e aquece.


a gente pernoita,
e se vira de dia,
morre!
E tudo esfria.

Gláucia Carvalho

21.06.2016 

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Palavras

Me chamam de poeta, sou nada!
De uma espécie de mensageira, piada!
Uma amiga das palavras, conversa!
Penso até que elas me odeiam,
Porque me perseguem implacáveis,
Deixando-me insone o corpo,
Até escrevê-las fielmente,
Contando meus segredos a um louco.

Nem adianta travar as portas,
Tapar as frestas, fechar vidraça,
Elas entram sei lá por onde,
Importunam-me e só vão para longe
Quando eternizo minha desgraça!

Gláucia Carvalho
08.01.2003

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Vago

Divago.
Vaga.
Vagarosamente.
Em vácuos complexos, sou simples.
Meu vagar é tão vago quanto eu.
Meu divagar foi tão estranho
que doeu!

Gláucia Carvalho
13.01.2016

domingo, 6 de dezembro de 2015

Desentendo

Desentendo!
Na maior parte do tempo sou alienada.
Exato! Não sei de nada!
E do pouco que entendo, não quero saber.
Saber é sofrer!
Cansei daqui.
Sou salomântica inteira.
O que me prende é videira,
De onde vem vinho bom.
Nada mais recebe meu apego.
Tudo que amei nesta terra, me dá medo!
Sou apenas mais uma na multidão.
Clone de outros clones que sofrem da pior solidão.
Ter gente por perto e sentir-se só!
Ah que dó!
Ser quem habita em meu ser.
Me resumo a dores diárias sem fim.
À saudade dos que partiram sem mim,
E me deixaram neste lugar hostil.
Talvez uma praia deserta, talvez uma cachoeira,
Que me lavasse alma inteira,
Derramasse um pouco dos prazeres que o Criador nos deixou.
Meu resumo, ratifico, é solitário.
A um piano e uma voz que se calou.
E me pergunto exaustivamente:
- será que alguém realmente me amou?


Gláucia Carvalho
05.12.2015

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Quimeras

Escrevi um samba uma vez
Ele dizia que sem talvez,
O amanhã chegaria,
Novo dia, calmaria...
As palavras hoje são outras,
Porque são absolutamente todas,
Não poucas, 
As manhãs em que desejo novamente o luar.
Quem sabe uma chuva de gotas serenas,
Que tornem mais amenas,
As dores do meu corpo.
Meu espírito chora quase morto,
Neste ciclo exauridamente repetido.
Quisera eu ter ido.
Quimera, quimeras...
Já foram boas minhas primaveras...

Gláucia Carvalho
09.11.2015

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Pés no chão

Madrugada...
Tenho nada!
Tenho tudo!
Tenho até o absurdo, de achar que tenho...
Li agorinha, os sermões de vida.
Li sobre os valores inversos,
Sobre sábios e néscios,
Sabedoria e loucura,
Percebi quão pura é a fé!
Muito mais que Poder,
É poder ter um pé,
E outro assim, pisados no chão.
Muito mais que qualquer tesouro,
É um puro coração...

Gláucia Carvalho
madrugada de 15.10.2015