Sexta-feira, 19 de Junho de 2009


Um restinho de vinho na taça,
E os pingos da chuva que cai,
Deixando embaçada a vidraça,
E eu não vejo quem vem e quem vai.

O restinho do vinho não bebo,
Quero deixá-lo para quem,
Descobrir que a solidão é segredo,
De quem não vê quem vai e quem vem...

Que a chuva jamais acontece,
Nem o sol, nem mesmo anoitece,
Tudo é a vidraça embaçada
De onde não vejo nada!

Só escuto, ao longe, as vozes, os risos,
Os movimentos de uma porta que se abriu,
Porém o meu vai e vem tão ocioso,
Jamais saberá se alguém entrou ou saiu...

Gláucia Carvalho
5.nov.2008

Quarta-feira, 3 de Junho de 2009


A madrugada vem chegando,
Já não tenho medo,
Já não tenho dúvidas,
Nem guardo segredos.
Não aguardo a outra noite,
Sei que o sol virá,
E com ele a esperança,
De já não esperar...

Gláucia Carvalho
27/5/2009
Eu sou muita e muitos,
Sou vácuos e vales,
E não pedi pra ser assim,
Brisa e ventania,
Eu sou um lado bom,
Mas também sou um lado ruim.
Eu sou mares e serras,
Sou luzes e trevas,
Sou tudo enxertado assim,
Sou pequena e imensa,
E tenho um imenso,
De tudo morando em mim...

Eu sou voz e silêncio,
De paz e intensos,
De calmas e turbilhões,
Sou até a alforria,
De minhas partilhas,
E assisto os meus furacões,
Eu sou cores, sou branco,
E num "black" eu me apago,
E fujo pra dentro de mim,
Eu sou assim...
Ah eu sou assim...
Sou o meu lado bom,
Mas também o meu lado ruim.

Quando Ele me vê, assim tão bipartida,
Tentando me (auto) apaziguar,
Diz com a calma de Pai:
Te amo tanto, te fiz e conheço seus mares e cais...
E eu volto a ser a menina de tranças,
Que balança nas galhas em flor,
Porque Ele não muda,
Ele nunca mudou,
Porque os lados d'Ele,
São todos Amor!

(Ele nunca some, Ele nunca sai,
Não me deixa só, Ele jamais trái,
Ele arde a vida, da qual é o autor,
Ele é a vida, Ele é o amor!

Gláucia Carvalho
26.11.2007
(um bolero)

Domingo, 8 de Fevereiro de 2009


Eu sou o inverso de um verso,
Eu sou um universo...
Eu sou trocadilhos,
Sou quadrilhas, sou trilhas,
Sou ilhas...
Sou perdida em alto mar...
Sou pedida para achar....
Sou a medida que Deus dá!

Gláucia Carvalho
7.2.2009

Quinta-feira, 18 de Dezembro de 2008

Solidão

Será este o meu desatino?
Chorar pelo impossível destino,
Chorar pelo que jamais ocorrerá,
Nem em milênios, nem por segundos,
Eu terei a chance de provar...
O que é ser, pertencer,
O que é ter, cuidar, zelar,
Amar jamais "eterno enquanto dure"
Amar eterno e que perdure
Muito além do que se possa supor,
Sem dúvidas de amanhãs,
Jamais interrogações de amor!

Ah! Sonhos, devaneios e eu me esqueço,
Que fui predestinada no começo,
A não ter uma pontinha desta dor,
Que por mais que doa ela é a certeza,
Do reencontro, do abraço, do laço,
Que nada desfaz!
Meu choro é este nunca maldito.
Meu choro é de nunca jamais!!

Gláucia Carvalho - 2006

Terça-feira, 2 de Dezembro de 2008

Estou repartindo-me ao meio,
Os dias, as noites, os receios,
Resolvi dividir o que me resta
E o que sobrou da festa,
Como quem chega de surpresa,
E é o dono da mesma.

Aprendi que balões não são eternos,
Que a música também acaba,
Que os convidados retiram-se aos poucos,
E o que resta é você e nova estrada...

Algumas tranqueiras para a lixeira,
Inclusive livros de cabeceira,
Inclusive manias corriqueiras,
Que tomam tanto tempo.

Pois a vida, como o vento,
Vai por onde Deus soprar,
E que a vida feito um vento,
Há de um dia não ventar...

Gláucia Carvalho

Sexta-feira, 28 de Novembro de 2008

Meu Tudo

Mesmo quando me esqueço,
Mesmo quando não me aconteço,
O Senhor está lá!

Mesmo quando adormeço,
E nem sonho, ou sonho que só deço,
Ainda assim o Senhor está lá!

Mesmo se tudo diz que é o fim,
Mesmo que as narinas não respirem,
Mesmo que eu ache que expire,
Mesmo que o abismo me evoque,
Mesmo que a morte bem suave em mim toque,
Sei que o Senhor sempre vai comigo estar!

Sei que o Senhor vai cuidar!
Sei! Eu sei! Já andei nestes vales!
Eu sei! Já naveguei nestes mares,
Já estive cega neste escuro,
Já estive presa em tantos muros,
E o Senhor sempre esteve lá!

Sei que nem altura, nem profundidade,
Nem loucura, nem vaidade,
Nem outrora, nem porvir,
Nem agora, nem o ar, nem o que nele há,
Nem a falta dele há de me separar,
Do teu grande amor que me abraçou na forma de Cruz,
Que está revelado em quem mais amo na vida,
Em meu tudo, em meu Santo Cristo Jesus!

Amém, amém e amém!!!

Gláucia Carvalho
4.01.2008