quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Poetas

Depois de tanto ler exaustiva,
Os poetas que de poetas exalam melancolia,
Entendi que a pretensão de ser como eles,
Nos custa gestacionar a poesia.


E com ela todas as dores e agruras,
De uma mãe que se doa até o limiar,
Onde fica o sorriso da criatura,
Onde mora o eterno chorar.


Pois aquilo que já findo não tem volta,
Tenho certeza de que muito poeta se arrependeu,
De ter escrito em obra de arte,
O que era só seu mas que infortunamente, nasceu.


Gláucia Carvalho
6.10.2011

sábado, 10 de setembro de 2011

Extrema beleza

Incompreensível, irresistível
Incompatível com a capacidade humana
Este som que do celeste emana
Por mãos, pés, boca mortal

Sabe-se lá de onde vem tanta harmonia rara
Tanta melodia cara
Que é impossível estimar-lhes valor
De onde vem se não de um coração sensível
Aquilo que é pra alguns imperceptível
Se imacula, pra ser em forma de som, a própria dor
Por ser em forma de dom o próprio amor

Se torna santo, sacro, reverenciado
Por ser a dor e amor de uns, por outros amado
Que sorriem ou choram, se revelam, adoram
Complicam, explicam, deliram
Conforme sentiu o autor

Que é só coração quando cria
Que não imagina que sua graça e poesia
Vai arrancar mais suspiros que possa supor
Vai arrebatar corações, com sofrimento e prazer
Com doçura e tanta vida, que autor e ouvinte se fundem e
confundem
Se aquilo é mais vida, ou se já é hora de morrer!!

Gláucia Carvalho (ouvindo Mike Stern)
25.2.2003

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Reflexos

Não sei o que me sinto
E se sinto eu não me sei
Quero voltar novamente
Ao lugar em que me achei.


Pois aonde eu fui pedida
Minha alma se escondeu
Continuo ainda perdida,
A pensar se eu sou mesmo eu.


Aparecem no reflexo do espelho,
Os flashes do que poderia ter sido
Mas o que não reconheço em mim
Ofusca o meu eu perdido.


Gláucia Carvalho
9.setembro.2011

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Divago

Os tempos divergem vagos,
Nada diferente debaixo deste sol,
Como espigas de milho no paiol
Nos amontoamos anônimos de nós mesmos.


E cada qual com seu umbigo,
Escuta só o que quer ser ouvido,
Fala só o que quer falar,
Abstraídos de outro ouvido, de outro olhar.


Eu divago vaga e impotente,
Não entendo esta gente,
Que não pensa noutra gente!


E eu divago devagar e sempre,
Não nasci para este mundo louco,
Daqui quero só o meu pouco
E necessário pão de cada dia.


Também quero a flor viva e a poesia,
Meus rebentos alentados pela alegria
De como eu, saberem-se inadequados,
Nesta terra, mas por Deus guardados.


Divago vagamente sobre a semente,
Aquela que pra nascer novamente,
Necessita morrer.
Certamente frondosa e frutífera árvore,
Dará à terra como exemplo, 
De que nesta nossa história,
Vivemos o aqui e agora,
Mas nosso presente presente,
Já é viver de glória em glória!


Gláucia Carvalho
26.agosto.2011

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Viagem

E de tanto voltar
De onde jamais fui
Comecei  a acreditar
Que nenhum lugar se exclui.


Mesmo quando vou
E voltando "viajada"
Trago lembranças aos meus
Pequenos objetos de nada.

O que importa é que sonho
E se sonho dormindo ou acordada,
Já não preciso de passaporte
Tenho em mim grande sorte 
De sair mesmo ficando.
De partir mesmo estando.
E então desejar que de "lás"
Estou novamente voltando.


Gláucia Carvalho
8.8.2011

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Desencontro

Ele partiu logo que soube
Em seu cavalo alado
A procura da bela que dormia
O seu sono encantado


Ele encantado dela,
Enfrentou um mundo hostil
Não importava, intrépido o herói viajava
Para ver o que ela ainda não viu.



Ela, no vigor da juventude

Tão linda, tão serena dormia
E assim sonhava há anos,
Com o príncipe de quem não sabia.


Mas se em sono estava
Aquela que foi tão amada 
Por tantos desejada,
Do sono não quis acordar.


Ele certamente a acharia
Como no sonho um dia,
A acordaria com o seu beijar.


Mas que desgosto e tristeza
Ele era ela mesma
Que estava a procurar
Ela e ele choraram no encontro em vermelho
A dor de correr atrás de si mesmo,
Através do próprio espelho.


Gláucia Carvalho
22.junho.2011
(PARAFRASEANDO FERNANDO PESSOA - O melhor!)

domingo, 17 de julho de 2011

Devoção

Não me sei, não me possuo.
Tenho algumas manias apenas.
Que ainda deverão ser eliminadas ou lapidadas,
Pelas mãos de Quem me tem.
Ele me sabe por inteiro,
Eu prefiro somente me prostrar,
A Quem assim por inteiro,
Se deu por mim, por tanto me amar!

Gláucia Carvalho
17.7.2011