terça-feira, 25 de outubro de 2011

Agonia

Por uma rima
Perdi minha sina.
Por um soneto,
Uma poesia,
Perdi mim mesma,
E a alegria.


Poetas ingratos,
Que nos enchem os pratos,
Com seus dizeres fatais,
Mal sabemos lá quantos venenos,
Engolimos nos finais.


A esperança da semente brotar
De vir sombra, um balanço e a menina a voar,
Decorados seus sonetos, suas poesias cantadas,
Pouco sabe ela que mordeu a isca,
Já maldosamente premeditada.


Aviso aos navegantes.
Fujam da pedra no caminho,
Fujam, antes que seja tarde,
Ser o que se mói e o moinho.


De preferência não leia nada,
Apenas observe ao longe,
Porque se te morde a praga,
De viver presa como um monge,


Sua tristeza será amar os poetas,
Amar loucamente a poesia,
E não tem mais jeito vira sangria,
O que te salva e também te mata em agonia!


Gláucia Carvalho
25.outubro.2011

4 comentários:

Aline Duarte disse...

Uau! Que bom que suas palavras estão aí, porque eu fico sem palavras diante de uma poesia dessas. Parabéns, tia! Beijos, saudade, te amo!

- Aline DuArte

J.F.AGUIAR disse...

Os poetas buscam um sentido para
as palavras, um sentido para a vida
são misteriosos,fugaz outros vezes
são reais e não acreditamos...por
não conseguirmos interpreta-lo
Pensamos que tudo não passa de um
delírio exclusivo dos poetas, O bem
e o mal nos poetas são mais intensos e complexos, A poesia é
uma virtude, ou vício? Não importa
Os poetas buscam pelo sentido da
vida em ver suas palavras compreendidas... Agonia é gerar
um verso e como dói poucos
não irão percebe-lo...Dado a incapacidade de observar
A poeta não desiste...
sempre com suas alquimias...
e fico feliz com seus inventos.

Marcia Carvalho disse...

Mana, mana, mana!
Leu a minha alma e escreveu aqui, é?
Nem sei mais o que dizer...
Beijo!

Thiago Azevedo disse...

Sensacional! Lindo, perfeito, brilhante! Malditos somos nós, que agonizamos sempre ante a uma bela poesia. Somos mordidos, feridos e impelidos a sentir cada palavra e depois disso, devolver em retribuição, nos tornando aquilo que nossos algozes foram...

poetas livres.

Beijos