sábado, 21 de fevereiro de 2015

Papai Passarim

Há um novo passarinho, 
Que vem e volta pro seu ninho,
Cantando no meu pequeno pomar.
Eu ia perguntar ao meu pai:
- Quem ele é? 
Agora, 
- Quem vai me falar?

Certamente ele saberia, até mesmo imitaria.
Vovô e vovó também, meu Tio Dito se foi,
E com eles está na glória,
Vou interromper a minha história, 
Sem saber do canto lá de fora?

Não, Não!
Perguntarei diretamente ao Criador,
Que faz as pazes com a dor, 
Transforma o pranto em alegria,
A angústia em poesia,
E criou o passarim,
Do canto mais perfeito que já ouvi!

Nunca fui lá boa imitadora,
Exceto de algumas cantoras 
E cantores com quem aprendi.
Meu pai me foi o primeiro,
Foi também o derradeiro,
Que me ensinou a cantar como "passarim"!

Sem nenhuma pretensão
A não ser ao dono de tudo devolver
O que se é, se canta, do nascente ao poente!
Vou seguir o exemplo dele, 
Até ter asas e voar!

Para os braços de Quem me criou,
Que vem e não vai!
Já sei! Tenho a resposta do enigma!
Quem canta em meu ouvido é ele. 
O meu lindo e amado pai!

Gláucia Carvalho
manhã de 20.12. 2014

(Singela homenagem ao meu paizinho, Onésimo Gomes da Silva, (07.04.1940 - 19.02.2015)
que criou asas e voou...)



2 comentários:

Gervando Bezerra disse...

Lindo poema! Homenagem justa e digna ao pai exemplar, esposo amoroso, cristão convicto, homem admirável, ser humano ímpar.

J.F.AGUIAR disse...

Sossego, Silêncio e Paz!