quinta-feira, 2 de junho de 2011

Vária

As vezes sou vária.
Numa condição de ser muitas em uma só.
Sinto saudade do meu minuto em sossego,
Depois que a vida deu um nó.

Um nó cego e sendo vária, cega fiquei,
Apenas para algumas coisas que não quero ver.
Mas mesmo sem querer, eu ainda vejo,
E distribuo em breves lampejos meus desejos.

Eles não sou eu, são apenas intrusos,
Que travam entre mim e mim uma luta crucial.
Eu exausta fico, a brigar comigo,
Sem comemorar quem ganha no final.

Se sou eu a vária se sou eu a que veleja,

Este oceano que em mim reside,
Com suas tempestades e suas calmarias.
Ah eu queria contar um pouco de dias,
Em que estou em paz comigo mesma.

Mas sinto ser impossível nesta terra,
Que se acerta, que se erra,
Não ser vária a tentar conter meu ser
Esta escreve algumas palavras,
A outra resiste bravamente ao que lê!


Gláucia Carvalho
2.5.2011

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Restos

As chamas ardem do que não sei.
Se pudesse abreviaria este tempo,
Onde não entendo o que irá ocorrer,
Se tudo foge à minha habilidade.
Resta-me da pureza a saudade,
...Resta-me não mais sonhar.
Restou o rascunho de uma melodia,
Mas ela me fazia chorar.

  
Gláucia Carvalho
27.maio.2010

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Dor

Ó dor, ó dor que num instante aflora,
Que jamais vai embora,
E maltrata a carne minha.

Ó dor, que dor é esta,

Que me deixa sozinha,
Que me deixa exposta
E indisposta também!

Ó dor que não me dá um tempo,

E me deixa sem tempo,
Para não fazer nada.

Você está brincando comigo,

O seu subjugar é piada!
Porém não sorrio e também não choro.

Eu apenas me escoro,

Num abraço de afeto,
Que te queima direto,
E te afasta, por alguns instantes, de mim.

Ó dor eu te imploro um trato,

Tome conta dos retratos,
E deixe-me em paz.

Nosso convívio me adoece,

E você sequer esquece,
Que não me pediu permissão para doer.

Faça-me este favor,

Antes que em agonia eu literalmente diga,
Que se pode morrer de dor!

Gláucia Carvalho

25.5.2011

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Coração

O meu coração não é terra de ninguém,
O meu coração tem dono!
Meu ser não está firmado em sorte,
Em cara ou coroa,
Em vida ou morte!

Alguém um dia bateu à porta da minha alma,

Com a calma de quem sabe amar,
Com o jeito mais suave e manso,
Com vida verdadeira a me ofertar!

Desde então eu pertenço intenso.

Desde então eu me ajoelho em devoção,
Por ter aberto a minha vida para quem é vida,
E trouxe tanta paz ao meu coração!

Desde então eu só sirvo a Ele,

Porque é D'Ele tudo o que tenho e sou,
E conto e canto para quem precisa ouvir,
Jesus é a realidade que o homem sonhou!

Gláucia Carvalho

19.maio.2011

quarta-feira, 18 de maio de 2011

O que será?

O que será? O que será?
De "amanhãs" está cheio o passado,
Nenhum minuto sequer pra prever,
Se vou viver, se vou morrer!
Se terei pouco, ao menos um bocado,
Mesmo sem presa, depressa vou correr,
Correr para o futuro que não sei,
Correr do passado que passei,
Correr pra não ver, pra não ter,
Nenhum minuto a mais que planejei,
Sem mais minutos vou perdendo,
Os mesmos minutos que vão por mim correndo!
Quem diria, quem dirá,
O que será, o que será?
Quem me dera estar lá,
Antes mesmo de chegar,
Assim eu mais proveito teria,
Quem diria, quem diria?
Que eu tão depressa cresceria,
E não veria, não teria,
Mais pôr-de-sóis, mais ventanias,
Menos bobagens, mais cantorias,
Menos contagens, menos sangrias,
Bem mais risadas, mais alegrias!!


Gláucia Carvalho
30.3.2005

domingo, 8 de maio de 2011

MÃE

Mãe!
Quantos segredos esta palavra guarda,
Quantos minutos meu ser te aguarda,
Na ânsia de tê-la eterna para mim!

Mãe!

Quantos medos e dores foram por ti sanados,
Quantos machucados por ti sarados,
Quantas vezes do mal esqueci!

Porque a sua presença me cura,

Os meus ais afagados por tuas misturas,
Fazem-me entender o amor desmedido,
Aquele que não faz sentido,
Até que se tenha filhos para saber!

Mãe a vida começa contigo,

Mãe que é afago e abrigo,
Mãe, onde encontro a melhor amiga,
A mais querida, a mais antiga...

Mãe, Mãe, Mãe,

Não tenho palavra, sequer uma rima,
Para aquela que me nota as primeiras rugas,
E mesmo assim me faz sentir uma menina!
(Te amo Gercira ROSA Carvalho e Silva - MINHA MÃE!)

Gláucia Carvalho

8.maio.2011

segunda-feira, 2 de maio de 2011

A vida se revela, vela!
Que se apaga num instante,
Ou dá direção ao barco à deriva...


A vida se revela leva,
Muitas vezes o que temos de melhor...
A vida nos prega peças, teatro!
Eu vou seguindo no ato, em que a VIDA se revelou a mim!


A vida revelada em Cristo,
Jamais imaginei que nisto,
Estaria toda a minha inabilidade de ser!


A vida se revela em Cristo agora,
As revelações de outrora,
Tornaram-se pó, diante da glória bendita!


A vida se revela e é bela,
Quando ele é vela que não se apaga,
Flor que jamais fenece,
Amor que nunca se esquece!


Gláucia Carvalho
2.maio.2011