quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Desvirtuaram o virtual


Achei interessante uma propaganda de uma operadora móvel discriminando “a mulher gata, que leva o o lap top para estar conectada”.
De péssimo gosto a propaganda em duas vertentes importantíssimas. “por ser gata, ela deve ser boa de internet”.  Se não for bonita não precisa ser “boa de internet”

Ao mesmo tempo em que  desconjuro a possibilidade de ir à praia, ou a um passeio, levando um celular, que dirá meu lap top! Isto é patético. São 24 horas conectada ao mundo, sem tempo para mim mesma...
Sem tempo para um mergulho nas ondas do mar, sem tempo pra conversar face a face com amigos que encontraria por lá...
O que há de errado

Por que de um tempo para cá, sou careta demais por não me afeiçoar de tanta tecnologia e pelo amor de Deus por querer um pouco de paz

Como se as possibilidades maravilhosas todas, residissem no mundo virtual!
Isto tem que parar!

Da mesma operadora, duas mulheres se maqueiam  em frente ao espelho e tiram sarro do colega no restaurante. Bem sucedido, naturalmente bonito, mas é RUIM DE INTERNET!
E daí

Quando eu saio de casa, vou a um parque, viajo, eu quero mesmo é ficar off. Desta loucura toda. Se possível, não me dêm notícias ruins.
Se estou em casa e quero ficar off, dêm-me licença para sentar com meus filhos e curti-los. Ouvir o que têm a dizer.
Não, não sou santa!  Tenho bilhões de defeitos virtuais o primeiro deles, ter perdido o controle sobre minhas mensagens que beiram a 4000 e eu não as consigo ler. E se for algo importante E se for algum convite, ou pedido de material... Daí vem o sono avassalador e me salva desta piração cibernética!
Acho que acordei definitivamente, no dia em que falei para minha filha ir dormir pelo Skype. Nós estamos a poucos metros de distância.
Eu desliguei tudo, fui lá, eu a beijei, a senti, lembrei-me de quando contava historinhas e ela pedia “novo mamãe” (de novo mamãe), quando nossos contatos sempre foram corpo a corpo, alma na alma, espírito, no espírito. Orávamos, líamos a Bíblia, vivíamos afinal.

Não quero ser uma pessoa a mais no mural de ninguém. Não quero que pensem que sou omissa, ou desligada o bastante para me esquecer de GENTE! Não, não...
Entendam afinal, que não sou ruim de internet, eu SOU PÉSSIMA! Graças a Deus...
E quero continuar assim!

Virtualmente  sendo benção para quem não posso dar um abraço carinhoso, realmente abençoada por ter  amigos que ultrapassam a virtualidade.
E se um dia me virem na praia , com um lap top, por favor, batizem-no no azul, azul do mar...

Gláucia Carvalho
23.02.2011

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Se

Se eu fosse apenas a flor da flor,
Se eu fosse apenas o mel do mel...
Se eu fosse apenas a água e o ar,
Se eu apenas, apenas...
Eu iria cumprir meu destino.
Flor que murcha sem deixar saudade,
Mel que se acaba, sem gosto de maldade,
Água que brota do nada para saciar,
Rio que corre sem desvio para o mar!
Ar que espalha para a flor, o que será o mel mais doce,
Se apenas, se apenas eu fosse...

Gláucia Carvalho
7.2.2011

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Feliz assim...

Hoje eu tô feliz, porque eu tô.
Não ganhei na mega sena,
Não sou atriz de cinema,
Eu tenho Jesus e isto basta!
Tive um bom dedo de prosa,
...Com alguém que me fez bem,
Fez-me enxergar que ser grato,
É o nosso "muito além".
Embora seja fácil, dizer a Deus obrigada!
Muito mais temos recebido
Muito mais graça nos é dada!

Gláucia Carvalho
27.1.2011

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Menina

Eu era menina ainda,
Dormia com os cabelos sem pentear,
Vinha direto da rua, com os joelhos sangrando,
Com o vento engolido à fio, do dia que Deus dera...

Ai quem dera engolir mais ventos! 
Abraçar depressa a ventania,
Enquanto ela rodeia os sete mares,
E ainda nos presenteia em maresia!

Eu menina ainda era,
Quando a festiva primavera,
Me fazia "pegar emprestado" em alguns quintais,
Flores diversas para "Bouquets" fenomenais.

Normalmente dados a mãe da menina que eu era ainda,
Toda vida era bem-te-vinda,
Todo canto era sabiá,
Todo pomar era passarada,
E absolutamente todos sabiam cantar...

Que saudade da menina hera... 
Que em era sua existência transformou,
E se sonha , sonha em eras,
O que jamais se realizou.



Gláucia Carvalho
14.01.2011

domingo, 9 de janeiro de 2011

Olhos


Nos olhos desta menina,
Sombras e luz no quintal,
Nos olhos desta menina,
Um multicor vendaval,
Nos olhos desta que cresce,
Já umas remotas lembranças,
Nos olhos da não já menina,
Parcas e curtas esperanças,
Nos olhos desta que já foi,
Menina, mãe e mulher,
Os desencontros são tantos,
Que ela já nem sabe quem é...
Na sua retina que ‘inda brilha
Ficou fina espessura do passado,
Uns cheiros, uns passos de dança,
E a voz dos seus amados,
Neste momento brilha a lágrima,
Nos olhos de uma mulher,
Que guardou tudo para agora,
E agora já não sabe quem é...
Nos olhos desta menina,
Ela de tudo sabia,
Hoje ela tenta reaver alguns sonhos,
Que se perderam em romarias.

Gláucia Carvalho
9.1.2011

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A moça e o violino

Uma música pairou.
Interessante veio em fotografia.
Eu já sonhava poesia para esta ocasião.
Chegou mais rápido que esperava
E veio feito traço fino, 
Feito linho fino,
Feito melodia afinada de lugares desconhecidos.

Sabia, seriam sons amigos! Afeiçoei-me ao instrumento,
Afeiçoei-me à instrumentista, que por si só, já é artista, 
E creio irá enfeitar ainda mais as canções do céu.
Adoçar a boca de quem anda amargo,
Irá espalhar vida, feito mel!

Gláucia Carvalho
17.12.2010

(Para minha amiga - irmã, Cristininha Mendes! Te amo mana!)

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Desabafos em atos!


Sentada, me refazendo, tentando. Busco agora uma nova maneira de lidar com as coisas sem ser demasiadamente dramática. Sei que a vida o é por si só. Não quero mais teatro do que devo ter. 

Sinto-me madura, muitas vezes obscura até mesmo para os 40 e poucos que ainda tenho. Nem vividos ainda. De fato se for analisar, ainda não saí dos 30 e alguma coisa, onde minha vida era pura correria atrás do vento, de onde me contento com muito pouco. Muito pouco.

Os filhos são a maior realização. Neles eu SOU ALGUÉM. Sinto-me como parte de um plano realmente bem engendrado para que eu esteja e seja aqui, neste exato momento, onde tenho quase sempre a sensação de inadequação sobre todas as coisas. Nada em mim confere realmente. Nada em mim se afere de tal forma que eu me sinta confortável e diga que estou no lugar certo, na hora certa.
Meu deleite jamais será o leite derramado. Nunca vou sorrir para as tristezas da vida. Nunca vou achá-las engraçadas.
Tristeza é triste, dói, a gente chora e pronto. As coisas vão se resolvendo.
Não creio nos eruditos que dizem depois de um tempo sorrir de situações pra lá de trágicas. Não comigo. O que é trágico tem nome e nome ruim. Seus nomes serão dados até o fim.

Porém o que é bom, é maravilhoso demais, tão sublime e fantástico para ser narrado aqui, não consigo dar nomes. São espetaculares e grandiosos e que devem pertencer aos nomes dados por Deus às estrelas , astros. Sim, sei que Ele as chama pelo nome. Meu nome é dito por Ele e eu escuto, assim como canto o nome dos meus filhos. Chega a ser uma música melodiosa, com linda harmonia e vontade de viver...
Meus sonhos são sonos. Meus sonos são sonhos. Numa ou outra esfera, estou bem. Grata. É o momento da ausência da dor. Hoje, posso dizer catedraticamente, da dor física que me abate há alguns anos.
Já estive amarga, já beirei ao desespero, senti tudo o que uma pessoa com dor crônica, apenas estas pessoas, podem  dizer sente, sofre. Ninguém mais. Sem conselhos, sem tentativas vãs de ajuda. Não há ajuda. Depois que os médicos se vão todos, que os exames se esgotam, que todas as pílulas de todas as cores e formatos e dosagens já foram tomadas e tentadas, você se sente só. E você deve ficar só.  A dor é sua. Ninguém divide dor FÍSICA, com outrem. Isto não existe. Eu tentei por várias vezes tomar a dor de outros amados para mim, jamais consegui uma dorzinha de cabeça. No máximo uma tensão nas costas que atribuo à tristeza. Uma das formas de tristeza, é ter dor nas costas. Logo percebem que você anda cabisbaixo, triste, insone...

De todos os infortúnios a falta de sono é o pior.
Não é raro pessoas brincarem comigo e acharem que meu sono exacerbado é algum tipo de piada. Não é não.
Eu preciso de medicação que controle  a dor. A dor naturalmente nos deixa impacientes e irritados, então eu preciso de outra medicação que controle o humor e não me descaracterize como ser humano. Como eu nasci, com meus atributos, virtudes, defeitos. Não posso deixar que a dor controle até minhas atitudes.
Daí vem o sono. Avassalador, impetuoso, urgente, lindo, deixando-me com um ar de graça e vida, de renovo e esperança, de “quem sabe ao acordar
Sim, alguns me chamam de fraca. Se dormir para fugir da dor for fraqueza, não me importa. Podem me chamar de fraca sim.  Neste meio tempo, nesta meia vida, nesta metade de tudo, inclusive de mim mesma, vou aprendendo, que o poder de Deus se aperfeiçoa na fraqueza e que somente a graça d’Ele me basta.
Ele me tem dado o privilégio de dormir. 
De acordar e ver filhos lindos, ouvir lindas canções, ter meus pais por perto sendo livrados de tantas doenças, tocando  cantando conosco, compartilhando dia a dia dos milagres que o Deus a quem servimos faz. Tenho o privilégio dos meus irmãos que eu amo com minha alma, que são música na minha vida, tenho a alegria das minhas cunhadas, dos meus sobrinhos que são o “orvalho” que já não existe mais na nossa terra seca. Eles têm o poder de produzir isto em nós. Em qualquer época do ano...

Talvez só eu veja. Sempre fui um tanto excêntrica. Não importa. Eu vejo e sinto o orvalho que se esvaiu daqui...
Anda por outras terras, onde ainda quero ir.

Hoje, eu só quero dizer que as coisas são complicadas sim. Jesus não disse que seria fácil e não é. Mas Ele nos falou para termos bom ânimo, afinal Ele venceu o mundo, a morte, as trevas e nós somos mais que vencedores com Ele que nos amou sobremaneira.
O que eu quero mais
Jesus, santificação, o pão nosso de cada dia, amor ao próximo e excelentes e profundos sonos...
(Boa noite!)


Gláucia Carvalho
14.12.210