domingo, 31 de maio de 2015

Seguindo

Um dia você acorda e gosta do que vê.
Mesmas cortinas, só que abertas.
Mesmas janelas, escancaradas.
Mesmo telhado, com cheiro de barro.
E me pergunto:
- porque as janelas de hoje em dia não nos permitem deitar nos telhados como antes?
eu amo telhados!
Amo altura! Árvores esguias e exibidas!
Sombras, gosto até do sol.
Bem certo que prefiro chuva, mas sei que ela não vem tão cedo.
Não, não tenho medo!
Já passei por tantas securas, aguento mais uma e outra.
Vou seguindo!
Sambando, cantando, harmonizando uma vida, que é vida verdadeira,
Na videira!
No vinho puro e bom.
No sangue transformador.
Que nos tira das cinzas e faz tudo novo.
Eu vivo pra isto.
É Ele minha sombra, meu telhado, minha chuva,
Meu Cristo!


Gláucia Carvalho
26.05.2015

sábado, 7 de março de 2015

Choro Cantado

O meu choro se mistura com o que parece um canto.
Será que é choro o cantar? Será que é canto o meu pranto?
Choro por aqueles que se foram e deixaram em mim um vazio.
Choro pela dor que me consome, no calor que sinto quando faz frio.


Canto pra não desistir, do meu ofício de cantar.
Canto porque é difícil, cantar pra não chorar.
E nesta mistura estranha, do canto e do meu gritante choro,
Juntam-se a mim as estrelas, que chorando gostas de luz, comigo fazem coro!

Gláucia Carvalho
07.03.2015

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Papai Passarim

Há um novo passarinho, 
Que vem e volta pro seu ninho,
Cantando no meu pequeno pomar.
Eu ia perguntar ao meu pai:
- Quem ele é? 
Agora, 
- Quem vai me falar?

Certamente ele saberia, até mesmo imitaria.
Vovô e vovó também, meu Tio Dito se foi,
E com eles está na glória,
Vou interromper a minha história, 
Sem saber do canto lá de fora?

Não, Não!
Perguntarei diretamente ao Criador,
Que faz as pazes com a dor, 
Transforma o pranto em alegria,
A angústia em poesia,
E criou o passarim,
Do canto mais perfeito que já ouvi!

Nunca fui lá boa imitadora,
Exceto de algumas cantoras 
E cantores com quem aprendi.
Meu pai me foi o primeiro,
Foi também o derradeiro,
Que me ensinou a cantar como "passarim"!

Sem nenhuma pretensão
A não ser ao dono de tudo devolver
O que se é, se canta, do nascente ao poente!
Vou seguir o exemplo dele, 
Até ter asas e voar!

Para os braços de Quem me criou,
Que vem e não vai!
Já sei! Tenho a resposta do enigma!
Quem canta em meu ouvido é ele. 
O meu lindo e amado pai!

Gláucia Carvalho
manhã de 20.12. 2014

(Singela homenagem ao meu paizinho, Onésimo Gomes da Silva, (07.04.1940 - 19.02.2015)
que criou asas e voou...)



terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Carmesim

Escrevo muito pouco eu sei.
Talvez o faça sem ver.
Talvez tenha publicado mil poesias
E no minuto seguinte prossigo em as esquecer.

Elas normalmente sangram demais
E estou esgotada de carmesim.
Ah que tanta dó eu tenho, 
De ser quem habita em mim.

Gláucia Carvalho
02.12.2014

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Raiar

Olhar um álbum antigo,
É como rever um amigo.
É como estar em um abrigo,
Da tempestade lá fora.
É estar aqui e agora,
Na certeza de que quem guarda é Deus.
A Ele pertencem todos os dias meus.

Olhar-se numa fotografia,
É ver que por mais que fria
E escura tenha sido a noite,
Seguramente o dia raiou.
A luz do sol me esquentou,
Como me aquece o sol da justiça,

São de Jesus as primícias de tudo que tenho e sou.

Olhar-me no espelho recentemente,
Faz-me brotar ardente,
Pelo muito que passei e no entanto,
Estou viva e consolada,
Guardada e amada,
Pelo Doce Espírito Santo!

Gláucia Carvalho
19.9.2014

sábado, 6 de setembro de 2014

Palavras

Uma surpresa: curva.
Um pedido: chuva.
Uma palavra: perdão.
Uma fruta: maçã.
A saudade: irmã!

Gláucia Carvalho
11.11.2013

domingo, 31 de agosto de 2014

Vida

Sonhe,
Solfeje,
Sol lá fora,
Surto embora,
Saciada a fome de agora.

Saia,
Sorria,
Segrede, se alegre,
Semeie,
Sacie, salgue, sacuda,
Segure, sane, acuda!

Saboreie,
Sereno...
Este tempo é pequeno,
Antes que cheguem maus dias,
E digas não tenho mais alegrias.

Solidário,
Solitário,
Silente,
Sóbrio,
Sôfrego,
Só!
Só!
Só!


Gláucia Carvalho