domingo, 10 de julho de 2011

Tamanho

Como eu posso medir com fé tão pouca
A grandeza e a misericórdia de Deus
Seria eu tola e louca
Sempre envolta nos amores Seus.


Por vezes sinto um vazio no peito
Uma dor aguda da solidão,
Aí relembro o Filho dado
Por me amar, pelo perdão.


Pelo anseio de ansiar
Pelo receio de recear
Pelo recado não recebido
Simplesmente por não ter lido!


Vislumbro suas mãos segurando os mares,
Sinto sua voz, mandando nos ares,
Ele que tem controle de tudo e todos,
Poderia acaso me esquecer?


Não a minha vida não é um acaso,
Não é um caso perdido,
Quando eu fui por Deus achada,
Eu vivi, embora tenha morrido!


Gláucia Carvalho
10.julho.2011

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Partida ao meio ou Partida no meio

Eu queria ter pra dar, eu não tenho.
Eu queria mais lágrimas pra chorar,
Me contenho.


As últimas já encheriam um mar,
Salgado, malvado de solidão.
Ah quem dera fosse doce esta água,
Ah quem dera em vez de mar, tivessem no chão,

As minhas pegadas pregadas,
Em alguns espaços só meus,
Ah quimera , quem dera, quem dera,
Nunca mais um adeus!


Só me restam alguns restos de palavras,
Que expressem um traço do que eu era,
Pois os lados ambíguos de mim mesma,
São inverno e também primavera.


O primeiro é lotado de dor e saudade,
O segundo é farto de amor e bondade,
O primeiro me faz sempre querer ir,
O segundo me diz para não mais partir...

E num parto doído eu parto vazia,
Do que eu reneguei, do que não tive pra dar,
E assim eu me escondo por medo e desgosto,
E não sou achada, sem nem mesmo sair do lugar.


Gláucia Carvalho
5.julho.2011

terça-feira, 5 de julho de 2011

Tanto que amar

Eu passeei na floresta,
Fui buscar umas flores
Eu tenho tantos amores.


Fui passear lá no bosque,
Atravessei o poste,
De onde se vai à Nárnia.
Lá de encantos e castigos,
Tentei trazer um bocado de manjar,
Eu tenho tantos amigos!


Fui tomar banho de cachoeira,
Pra lavar a alma inteira
E buscar da mata uns perfumes,
Eu tenho tantos costumes.


Estou planejando ir ao cume,
De uma alta montanha,
Talvez de lá voar,
É tão denso o meu pensamento
Eu vivo este momento,
E tenho tanto que amar!


Gláucia Carvalho
5.julho.2011

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Entrega

Como imaginar que os caminhos traçados
Onde eu iria percorrer, que eu iria andar
Já eram por Deus premeditados
Muito antes d’eu existir, tão antes de estar lá

É melhor nem questionar sobre as pedras e os percalços
Pelos quais eu ando trôpego, sôfrego, nu e descalço
Elas fazem parte da minha trajetória
Pra que eu seja melhor e bem melhor a minha história

Aprendendo com o difícil, crescendo com o inesperado
Otimista com o futuro, realista com o passado
Pra que nova estrada e rumo, me ensinem sempre a ser
Dependente do Deus Santo, e com Ele aprender

Que enganoso e tão frágil, é o meu coração
Que o meu futuro, longe dos seus planos
É escuro, fútil, é apenas vão...
Que eu posso até sonhar, mil planos pra fazer
Mas a resposta certa vem dos céus
Só Deus pode dizer

Que jamais um olho viu
Ou nenhum ouvido ouviu
O que está preparado, com carinho para os Seus
Para os que amam, que esperam
Para os que entregam TUDO a Deus!

Gláucia Carvalho
13.11.2001

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Nada que valha uma "poesia"

Eu quimera que não doera,
Primavera de pó e poeira,
Sem perfume, sem graça, sem cor.
É este o retrato da dor.

Gláucia Carvalho
29.6.2011

domingo, 26 de junho de 2011

Presa na dor

Eu sou solidária com todos,
Porém solitária com o que sinto
Mesmo porque eu não consinto 
Com o que meu corpo sente.


Não consentiria com os seres que respiram
Que sentem algum tipo de dor
Destas que não te largam
Destas que te amargam
Na cadeia da solidão.


Já não sei mais o que é normalidade
Esqueço até minha idade,
Porque pouco importa para mim.
O morrer me seria lucro
Podiam colocar em meu sepulcro,
"Aqui jaz, finalmente em paz
Quem foi bem mais intensa do que se imagina
E por um desvio  na história, sua sina,
Foi sentir uma dor tão fina,
Que jamais celebrou-se tamanho alívio!"


Chego a sonhar com o luto sereno,
Daqueles amados que chorarem por mim.
Eu, plena, descansada, sem avisos desta vida,
Certamente diria: - Nunca fui tão feliz assim!


Gláucia Carvalho
26.7.2011


(solidária com todas as pessoas que sentem qualquer tipo de dor crônica. Deus os abençoe!)

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Correria atrás do vento...

Não me segure eu tô com muita pressa
E vou correndo atrás do quê? Nem sei...
Deve ser algo, bom demais! A beça...
Eu busco tanto e ainda não achei

Eu vou porque nunca tô satisfeito
Eu tenho tanto e é vago o meu peito
O meu dinheiro nunca dá pra nada
O meu trabalho nunca é bom demais
A minha vida é só uma piada
Eu rio dela e ela chora mais

Que ironia eu imaginar, que ser feliz é
só ano que vem
Quando eu crescer, ou quando eu me
formar
Ou viajar de trem, pra encontrar um
bem
Quando eu for rico, quando eu for
bonito
Quando o meu time for o campeão
Quando eu casar, quando eu me
aposentar
Quando enfim eu for ser o patrão

Vou ser feliz quando o neném nascer
Não! Não... vai ser melhor quando o vir
maior
Independente, livre pra escolher
Não! Por favor... eu vou sentir-me só...

Vou ser feliz quando chover de menos
Vou ser feliz quando chover de mais
Vou ser feliz quando mudar de vida
Se nos jornais falarem sobre paz

Quando só eu ganhar na loteria
Quando um grande amor eu
encontrar
Quando eu for famoso que mania!
Vou ser feliz quando me aposentar

Vou ser feliz quando plantar uma
árvore
Tiver um filho e um livro escrever
Vou ser feliz depois que mais ou
menos
Vou ser feliz só quando eu morrer

Essa é a minha e é a sua história
Só de passado e um futuro incerto
Quando dá pra ser feliz agora
Se no seu dia tem Jesus por perto

Ele rompeu com toda estrutura
De sonhos, planos, fase ou o que se
quis
E nos provou que sangue puro cura
Com Ele tudo ou nada, é ser FELIZ!!

Gláucia Carvalho
9.6.01