Em
uma ocasião, compus uma música em homenagem às mulheres. Como de praxe, o
que é perfeitamente inconfiável à uma pessoa com Déficit de Atenção,
lerdeza e dom para fazer coisas sumirem, não tenho esta música. Queria
fazer um vídeo bonito e dedicar a vocês mulheres.
Mas não é difícil repetir todos os dias, o que aprendi com minha vó, minha mãe, irmã, a minha admiração profunda por nós!
Guerreiras
por natureza, felinas à caça de alimento para os seus rebentos, frágil e
forte, intensa e serena, capaz de cantar um canto de guerra em um
instante e em segundos transformar-se em um anjo com cantigas para
ninar.
Sei do que falo, sei do que sei.
Ser mulher não é fácil não.
A minha homenagem maior é dizer aos homens que puderem me ler, que a
preciosidade que você tem ao lado, é inviolável, sagrada, falante,
calada, misturada, misteriosa, tensa, doce, mas tudo tem uma razão.
Afinal ela passa todos os dias por mudanças hormonais, que são
intensificadas com as mudanças da lua, a profundidade das águas, com o
calor ou o frio. Mesmo assim, ela tá aí! Do seu lado.
Aprofundo-me mais dizendo que o humor da grande parte das mulheres,
varia com que cor de flor você escolhe para presenteá-la no dia a dia!
A cor da flor, é o seu humor homem! Portanto, seja bonzinho...
Conselho de amiga!!
Às mulheres de todo planeta, feliz dia, feliz amanhã, feliz sempre!
Nosso dia não pode ser tachado em um único dia, pois somos, simplesmente
porque fomos, somos e seremos o único ser do planeta, que ama com amor
comparado ao amor de Deus!
Isto é forte! Por isto a gente aguenta, resiste, insiste e vence!
Se curta, fique cheirosa, cante sem razão nenhuma, ria de si mesma, experimente andar descalça e tomar banho de chuva.
São minhas dicas de "beleza."
Feliz dia MULHER!
Beijos, de uma mulher "bem diferente" (segundo muita gente), mas MULHER!!!!
Gláucia Carvalho
08.03.2013
Já há tempos escrevo num lugar ou outro, mtas vezes escondidos em gavetas,cadernos,guardanapos,coisas do meu dia-a-dia.Algumas pessoas que em algum momento se indentificaram comigo e acharam interessante eu tentar juntar tudo num lugar só acabaram por me convencer. Espero aqui dizer exatamente o q sou,como sou e como sonho que a vida seja para todos cheia de paz graça e muito humor.Minha frase de praxe é, muito sincera: um beijo n'alma de tantos quantos vierem aqui.Sempre, Gláucia
segunda-feira, 10 de março de 2014
sábado, 8 de março de 2014
Ser mãe e ser filha
Você se sente mãe e filha quando, seu bebê te acorda 200 vezes em uma noite tumultuada que você limpou o berço, cobertinhas, lençóis, travesseiros, você mesma, seu marido, chão, teto, porque ele vomitou a quinta tentativa de mamadeira.
Você também se sente mãe e filha, quando você tenta explicar pra sua garotinha de 1 ano que vestidinho de festa e tênis não combinam! NÃO COMBINAM! Ela chora, você chora, no fim das contas vai todo mundo de tênis porque ninguém se importa mais.
Você se sente mãe e filha quando um médico pergunta o que seu bebê tem, você supõe que ele está desidratado, já que vomitou e teve diarréia o dia inteiro e o médico diz desaforadamente: - se você sabe o que ele tem, porque o trouxe aqui??? Daí você diz um monte de palavra feia, enquanto sua caçula vomita o miojo que desce da camiseta, até os joelhos da calça jeans.
Você se sente mãe e filha, quando percebe que seu sono nunca mais será o mesmo. E que o som mais perfeito que existe, é o do portão batendo, avisando que todos estão em casa seguros e bem.
Você se sente mãe e filha, quando aquele homem enorme, que já coube em seus braços, vem com voz mansa e pede uma massagem nas costas, porque jogou basquete com os amigos, ou fez algum tipo de luta estranha...
Você se sente mãe e filha, quando sua garota pega o carro e sai assim, no sol, na chuva, enquanto você ora o tempo inteiro para que nada aconteça e quando você questiona o horário, ela diz, vai ser assim pra sempre mãe? eu já tenho 19 anos! E você não tem resposta... abaixa a cabeça... pensa, pensa rápido mulher! E balbucia, sim. Vai ser assim pro resto da sua vida!
Você se sente mãe e filha quando é impossível não perguntar pra sua mãe se você faz ou não tal viagem, se toma ou não aquela decisão, ou liga apenas pra dizer, mãe, eu tô doente...
Você se sente gente quando vê que a vida é um ciclo que se repete a cada geração! E cada ciclo te faz menos fraco e mais forte. O contrário também. Você fica vulnerável, velho, estranho, cheio de manias. Muitas vezes você não se reconhece, afinal andava nas ruas de Brasília a 160km/h e sabe que Deus te guardou!!
Você se sente mãe e filha, quando você sabe que nunca vai deixar de ser mãe e filha... Nunca! Este é o mistério...!
Gláucia Carvalho
08.3.2014
(para minha mãe e minha filha. Minhas mulheres preferidas!)
Você também se sente mãe e filha, quando você tenta explicar pra sua garotinha de 1 ano que vestidinho de festa e tênis não combinam! NÃO COMBINAM! Ela chora, você chora, no fim das contas vai todo mundo de tênis porque ninguém se importa mais.
Você se sente mãe e filha quando um médico pergunta o que seu bebê tem, você supõe que ele está desidratado, já que vomitou e teve diarréia o dia inteiro e o médico diz desaforadamente: - se você sabe o que ele tem, porque o trouxe aqui??? Daí você diz um monte de palavra feia, enquanto sua caçula vomita o miojo que desce da camiseta, até os joelhos da calça jeans.
Você se sente mãe e filha, quando percebe que seu sono nunca mais será o mesmo. E que o som mais perfeito que existe, é o do portão batendo, avisando que todos estão em casa seguros e bem.
Você se sente mãe e filha, quando aquele homem enorme, que já coube em seus braços, vem com voz mansa e pede uma massagem nas costas, porque jogou basquete com os amigos, ou fez algum tipo de luta estranha...
Você se sente mãe e filha, quando sua garota pega o carro e sai assim, no sol, na chuva, enquanto você ora o tempo inteiro para que nada aconteça e quando você questiona o horário, ela diz, vai ser assim pra sempre mãe? eu já tenho 19 anos! E você não tem resposta... abaixa a cabeça... pensa, pensa rápido mulher! E balbucia, sim. Vai ser assim pro resto da sua vida!
Você se sente mãe e filha quando é impossível não perguntar pra sua mãe se você faz ou não tal viagem, se toma ou não aquela decisão, ou liga apenas pra dizer, mãe, eu tô doente...
Você se sente gente quando vê que a vida é um ciclo que se repete a cada geração! E cada ciclo te faz menos fraco e mais forte. O contrário também. Você fica vulnerável, velho, estranho, cheio de manias. Muitas vezes você não se reconhece, afinal andava nas ruas de Brasília a 160km/h e sabe que Deus te guardou!!
Você se sente mãe e filha, quando você sabe que nunca vai deixar de ser mãe e filha... Nunca! Este é o mistério...!
Gláucia Carvalho
08.3.2014
(para minha mãe e minha filha. Minhas mulheres preferidas!)
quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014
Contos do Inverno no Sul
Era
madrugada ainda. Naquele momento quando o mar escuro é surpreendido por
flashes dos raios celestes em cores ainda não decifradas.
Fiquei estagnada olhando aquela paisagem tão absurdamente controversa. O mistério do mar, a noite que tudo tinha silenciado, vinha sendo dissipada por uma força de cores e luz!
Tentei olhar mais longe, mas meus olhos ficaram fixos em uma bola redonda que foi surgindo de dentro do mar.
Eu estaria sonhando ainda, ou aquilo era real?
Chamei meu filho que ainda dormia e ele ajeitou os óculos pra que pudéssemos entender o que estava acontecendo. Em apenas alguns segundos, enquanto ele ajeitou seus óculos, lá surgiu no horizonte. A bola redonda. Meio céu, meio mar. E foi subindo rápido e devagar sem que a gente pudesse notar.
Que bola marota! Parece uma bola de futebol nos pés dos artistas jogadores brasileiros.
Eu bem já tinha ouvido que ela sempre aparece depois de uma noite inteira de escuridão.
Em um morro não muito longe de onde estávamos, por entre névoa, tons de laranja, algumas poucas estrelas, nossa atenção foi totalmente absorvida por uma revoada de pássaros. Enquanto eles brincavam de se esconder, talvez Deus tenha sorrido de nós dois...
Eu e meu filho, estáticos, sem saber para onde olhávamos, fomos surpresos mais uma e outra e outra vez. O sol já estava alto.
Um dia eu pego esta bola subindo. Um dia...
(E Deus deve estar sorrindo de mim agora mesmo...)
Gláucia Carvalho
27.2.2014
Fiquei estagnada olhando aquela paisagem tão absurdamente controversa. O mistério do mar, a noite que tudo tinha silenciado, vinha sendo dissipada por uma força de cores e luz!
Tentei olhar mais longe, mas meus olhos ficaram fixos em uma bola redonda que foi surgindo de dentro do mar.
Eu estaria sonhando ainda, ou aquilo era real?
Chamei meu filho que ainda dormia e ele ajeitou os óculos pra que pudéssemos entender o que estava acontecendo. Em apenas alguns segundos, enquanto ele ajeitou seus óculos, lá surgiu no horizonte. A bola redonda. Meio céu, meio mar. E foi subindo rápido e devagar sem que a gente pudesse notar.
Que bola marota! Parece uma bola de futebol nos pés dos artistas jogadores brasileiros.
Eu bem já tinha ouvido que ela sempre aparece depois de uma noite inteira de escuridão.
Em um morro não muito longe de onde estávamos, por entre névoa, tons de laranja, algumas poucas estrelas, nossa atenção foi totalmente absorvida por uma revoada de pássaros. Enquanto eles brincavam de se esconder, talvez Deus tenha sorrido de nós dois...
Eu e meu filho, estáticos, sem saber para onde olhávamos, fomos surpresos mais uma e outra e outra vez. O sol já estava alto.
Um dia eu pego esta bola subindo. Um dia...
(E Deus deve estar sorrindo de mim agora mesmo...)
Gláucia Carvalho
27.2.2014
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
Canseira
Ah que dias são estes que me dão canseira.
De segunda, a sexta feira,
Não gosto de saber.
No sábado e domingo,
Tenho pavor de viver.
Ah como passou rápido a época em que dizia,
Este período eu todo reviveria,
Só porque eu tinha paz.
Não tenho mais.
As horas são lentas, os homens não se cansam,
De destruir, construir e destruir novamente,
Penso que de repente, era melhor nem ouvir.
O barulho daquilo cai, o barulho do que começa a subir.
Já me cansei por demais desta vida,
Tenho tempo pra passar, tenho nada pra fazer,
Os dias alimentam minha tristeza,
E o que espero é morrer!
Deixar de sonhar já deixei,
Quem tinha que amar já amei,
O que era pra perdoar, perdoei,
Cansei, cansei, cansei!
Gláucia Carvalho
24.2.2014
Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas em mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei pela salvação da sua face. Salmos 42:5
De segunda, a sexta feira,
Não gosto de saber.
No sábado e domingo,
Tenho pavor de viver.
Ah como passou rápido a época em que dizia,
Este período eu todo reviveria,
Só porque eu tinha paz.
Não tenho mais.
As horas são lentas, os homens não se cansam,
De destruir, construir e destruir novamente,
Penso que de repente, era melhor nem ouvir.
O barulho daquilo cai, o barulho do que começa a subir.
Já me cansei por demais desta vida,
Tenho tempo pra passar, tenho nada pra fazer,
Os dias alimentam minha tristeza,
E o que espero é morrer!
Deixar de sonhar já deixei,
Quem tinha que amar já amei,
O que era pra perdoar, perdoei,
Cansei, cansei, cansei!
Gláucia Carvalho
24.2.2014
Por que estás abatida, ó minha alma, e por que te perturbas em mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei pela salvação da sua face. Salmos 42:5
sábado, 15 de fevereiro de 2014
Surpresa
Surpresa é surpresa!
É a mousse de sobremessa!
Não tem graça se contar que existe.
Assim se foi o meu coração desacreditado e triste,
De que paixão não avisa quando vem.
Ela te arrebata com tudo que você tem,
E te deixa assim mesmo de mãos vazias,
Que antes estavam frias,
Mas foram aquecidas da loucura,
Que é parte insana, parte pura,
De algo que não se pode controlar!
Surpresa, mas que grata surpresa!
Saber que olhos nos meus olhos,
Mãos nas minhas mãos,
Um sonho de um beijo,
E na face um tímido rubor,
Lembram a esta mulher,
Que ainda existe amor...
Gláucia Carvalho
É a mousse de sobremessa!
Não tem graça se contar que existe.
Assim se foi o meu coração desacreditado e triste,
De que paixão não avisa quando vem.
Ela te arrebata com tudo que você tem,
E te deixa assim mesmo de mãos vazias,
Que antes estavam frias,
Mas foram aquecidas da loucura,
Que é parte insana, parte pura,
De algo que não se pode controlar!
Surpresa, mas que grata surpresa!
Saber que olhos nos meus olhos,
Mãos nas minhas mãos,
Um sonho de um beijo,
E na face um tímido rubor,
Lembram a esta mulher,
Que ainda existe amor...
Gláucia Carvalho
sábado, 18 de janeiro de 2014
Vaidade
Já dizia o sábio Salomão:
"Tudo é vaidade é correr atrás do vento."
Eu sei disto! Não me contento.
Todo dia há um mal pra se passar,
Toda semana há um motivo pra chorar,
Todo mês, começa tudo outra vez.
Melhor é o pouco com paz.
Porque correr tanto por um tanto a mais?
O que vale é o tesouro da calma,
Que reside só dentro da alma,
De quem começa a entender Salomão.
Há momentos de dizer sim, há momentos de dizer não!
Fico com a beleza da simplicidade,
Tudo passa nesta vida de vaidade.
O maior sentimento que fica é o amor,
E a maior dor, em nós timbrada, é a saudade...
Gláucia Carvalho
18.1.2013
"Tudo é vaidade é correr atrás do vento."
Eu sei disto! Não me contento.
Todo dia há um mal pra se passar,
Toda semana há um motivo pra chorar,
Todo mês, começa tudo outra vez.
Melhor é o pouco com paz.
Porque correr tanto por um tanto a mais?
O que vale é o tesouro da calma,
Que reside só dentro da alma,
De quem começa a entender Salomão.
Há momentos de dizer sim, há momentos de dizer não!
Fico com a beleza da simplicidade,
Tudo passa nesta vida de vaidade.
O maior sentimento que fica é o amor,
E a maior dor, em nós timbrada, é a saudade...
Gláucia Carvalho
18.1.2013
quarta-feira, 25 de dezembro de 2013
Natal, pia, louças e patins
Ontem, véspera de natal. Como sempre reunídos na casa da minha mãe com família querida. Irmãos, sobrinhos, cunhadas, primos, primas, tios, criançada.
Música não falta. É nosso início, meio e fim. Pianistas também não faltam. Para cada música podemos escolher um que toque melhor que o outro.
Linda palavra da minha mãe, baseada em um texto deixado pelo nosso amado pastor Hélio Silva, alguns dias atrás pelo Facebook. (Vou compartilhar!)
Mais músicas, oração, agradecimento e comida. Muita comida! Destaco tudo! A farofa da minha tia Gerondina parecia pipoca viciante. O pernil do meu irmão Rogério é O PERNIL! Ninguém faz igual.
Uma turma aqui, outra ali, muitas gargalhadas, presentinhos diversos, presentões para as crianças que já estrearam imediatamente suas graças.
Aí vem a parte mais avassaladora. Minha mãe, primos, cunhada, sobrinhas e tia já estiveram por lá o dia inteiro arrumando, ajeitando, enfeitando, cozinhando, trabalhando duro. Serviço de casa. (Aquele que é eterno!)
Depois de ver minha tia ter lavado tanta louça, ali na beira da pia, sem parar, nem consegui comer minha sobremesa direito. E olha que o que mais amo é doce! Assumi.
- Deixe comigo titia! A senhora já trabalhou demais.
Ela disse que aquilo é uma diversão... tsc.. tsc...! Minha mãe diz o mesmo, algumas primas, mas eu não acredito! Limpar e lavar sem parar, nunca foi diversão de ninguém. Só de quem tem algum tipo de problema sério na cabeça.
Aí eu entro do avesso. Fui lavando, lavando, limpando, lavando mais. E não acabava nunca! Comecei por volta das 23h00. Algumas pessoas foram se despedindo de mim, eu na pia. Me beijavam, feliz natal, eu na pia.
Mais louças empilhando. Pra desocupar, secava, guardava e começava tudo novamente. Mais louça. Talheres de todos os tamanhos e jeitos. Coisas que nem sei o nome.
A casa foi ficando silenciosa. Escutei apenas a conversa suave de alguns familiares na sala escura, iluminada pelas luzes de enfeites de natal e o som do meu trabalho na cozinha. Mais louça.
Xiiiiiii! Tinha me esquecido das panelas. Panelas gigantescas! Pra quê tanto exagero?? Nem um batalhão come aquele tanto de comida. De vez em quando, um ou outro chegava e dizia, tenho um presentinho... (Cruz credo!)
Mais louça! Copos, pratinhos, talheres. Não sei de onde surgiu tanta coisa pra lavar. Fui juntando os panos de prato já molhados e colocando de "molho" na pia ao lado, porque na casa da minha mãe, tem todo um esquema montado, pra sair tudo perfeito!
Fui pegando novos panos de prato, limpinhos feito algodão, como se nunca tivessem sido usados. Lá é assim...
Sempre foi assim.
Minha mãe já tinha ido se deitar, mas antes, tinha me dito para levar comida e frutas para todos nós, com fartura.
Meu pai veio dar bom dia! O relógio marcava 3h da manhã e eu na pia.
Lembrei-me do fogão!
- Deus do céu! Minha mãe não pode ver este fogão sujo. Ela não suporta sujeira!
Fui então, do meu jeito desastrado, limpar o fogão. E pra encaixar as peças depois??? Não fui preparada para isto. Tive que chamar os especialistas em montar e desmontar coisinhas. Meu sobrinho Olavo, de 2 anos, faria isto com maestria. Eu não consigo!
Foi me dando um misto de desespero, cansaço, vontade de chorar, ou de rir muito, que comecei a achar que estava delirando.
O chão estava um caos!
Lá do corredor, muito longe, minha mãe avistaria a marca de uma uva amassada. Mais desespero. O chão. O chão precisa ser limpo.
Tirei as cadeiras todas. Varri, limpei, limpei, limpei. Tentei..., tentei...
Mais louças! Voltei para a pia. Por fim, achei uma panela imensa onde o Rogério tinha feito um risoto de bacalhau. Pronto! Meu castigo estava completo. Perguntei a mim mesma o que tinha feito de tão grave para merecer aquilo? Eu detesto qualquer tipo de peixe, ou frutos do mar. O cheiro me dá náuseas. E eu fui lavar aquela panela, resignada, dizendo ao meu irmão bem baixinho, que, certamente já dormia em paz na sua casa:
- seu canalha! Estragou o meu natal com este bacalhau. Que cheiro horrível! Bacalhau não rima com natal! Que idéia de jirico.
Achei que tinha terminado. Não, não. Tinha a mesa de frutas, nozes, avelãs, chocolates, panetones. Que mesa linda e bem arrumada pra ser desarrumada depois.
"Isto eu chamo de correria atrás do vento."
Eu juro que fiz o meu melhor. Desinfetei, relimpei, juntei mais louças, guardei tudo no lugar que sabia que estava certo, pois todas as peças na casa da minha mãe se encaixam. Pra todas as coisas tem um lugar. Da panelona grande, a comida vai pra panela menor, depois pra uma vasilha média, pequena, minúscula, até a comida acabar. Tudo é milimetricamente organizado. Como ela consegue?
Ok! Cheguei aonde queria. Minha irmã era perfeccionista.
Vocês não entenderam!! Ela era PER-FEC-CIO-NIS-TA! Do tipo maluca de pedra. Roupas guardadas por cor, tamanho, livros, cd's, fitinhas k7, caixas, perfumes, utensílios, canetas, agulhas. Sim. As agulhas eram organizadas. Nós vivemos juntas até eu completar uns 16 anos, quando tivemos um violento "litigioso", porque eu joguei meus tênis ao chegar do colégio, na linha "imaginária" que pertencia a ela no quarto. Metade dela. Metade minha.
Metade céu, metade inferno!
Senti falta dela. Chorei muito, não queria que ela saísse do quarto, tinha medo de dormir sozinha, mas ela não me suportou.
Reconheço! Eu sou muito desorganizada. Mas eu sou limpinha!!! Só que isto não é o suficiente. Não pra mim. Nunca foi até o dia que antecedeu a partida dela.
Em confissão de irmãs, ela disse-me que eu era sim muito desorganizada, bagunceira, esculhambada, mas que podia contar comigo em qualquer instante da sua vida e, como aconteceu, até o momento em que partiu.
Nós éramos assim. Ela sol, eu lua. Ela tempo aberto, eu tempestade. Mas nós nos completávamos com uma perfeição que só Deus mesmo explica.
Mamãe tentou me fazer uma menina-mulher prendada. Tentou me ensinar a organizar com perfeição, costurar, cozinhar, coisas que ela já nasceu fazendo...
Eu não consegui aprender. Talvez eu não quis aprender. Afinal a Claudinha já era tão perfeita.
Mas minha mãe nunca foi de me cobrar absolutamente nada. Aliás, esta estória termina muito bem. Porque recebi um telefonema dela há pouco, dizendo-me que amou minha "arrumação".
Interessante que eu estava apavorada ontem com a aprovação dela sobre o que eu estava fazendo. E as lembranças de outrora voltaram fortes. Meu sobrinho me abraçou enquanto eu lavava a eternidade de louças e eu olhei exatamente para a rua onde passei toda minha infância e adolescência e disse:
- Bruninho, eu só queria andar de patins!!!
Quando eu era menina, que era meu dia de lavar a louça, eu não conseguia. E chorava porque não fazia direito e não estava andando de patins... (eu tentava lavar a louça com os patins nos pés!)
Assim é a nossa vida. Como pode aquela pequena gigante da minha mãe, conseguir deixar organizada uma casa tão imensa? Tudo no seu lugar? Isto é um dom.
Como pôde minha irmã deixar as suas coisas em perfeita ordem, até a hora de ir?
Como podem estas mulheres incríveis que fazem de suas casas, verdadeiras obras de arte, porque serviço de casa é coisa pra artista e pra gente muito forte!
Vou morrer sem entender.
Talvez morra sem aprender.
Honestamente não faço muita questão. Minha cabeça pensa demais em outras coisas e a louça me atrapalha a concentração.
Finalmente, devo dizer que sou fã incondicional de vocês. Em especial da minha mãe e da minha irmã. Mas não quero ser como vocês não.
Higiene sempre! Organização..., bem..., cada um que cuide do seu pedaço! Deixem o meu em paz...
Só me digam, por favor, onde está mesmo meu controle remoto e meu celular?
Gláucia Carvalho
25.12.2013
(Dedico à minha mãe e minha irmã. As mulheres mais organizadas, limpas e perfeitas que já conheci na vida!)
Música não falta. É nosso início, meio e fim. Pianistas também não faltam. Para cada música podemos escolher um que toque melhor que o outro.
Linda palavra da minha mãe, baseada em um texto deixado pelo nosso amado pastor Hélio Silva, alguns dias atrás pelo Facebook. (Vou compartilhar!)
Mais músicas, oração, agradecimento e comida. Muita comida! Destaco tudo! A farofa da minha tia Gerondina parecia pipoca viciante. O pernil do meu irmão Rogério é O PERNIL! Ninguém faz igual.
Uma turma aqui, outra ali, muitas gargalhadas, presentinhos diversos, presentões para as crianças que já estrearam imediatamente suas graças.
Aí vem a parte mais avassaladora. Minha mãe, primos, cunhada, sobrinhas e tia já estiveram por lá o dia inteiro arrumando, ajeitando, enfeitando, cozinhando, trabalhando duro. Serviço de casa. (Aquele que é eterno!)
Depois de ver minha tia ter lavado tanta louça, ali na beira da pia, sem parar, nem consegui comer minha sobremesa direito. E olha que o que mais amo é doce! Assumi.
- Deixe comigo titia! A senhora já trabalhou demais.
Ela disse que aquilo é uma diversão... tsc.. tsc...! Minha mãe diz o mesmo, algumas primas, mas eu não acredito! Limpar e lavar sem parar, nunca foi diversão de ninguém. Só de quem tem algum tipo de problema sério na cabeça.
Aí eu entro do avesso. Fui lavando, lavando, limpando, lavando mais. E não acabava nunca! Comecei por volta das 23h00. Algumas pessoas foram se despedindo de mim, eu na pia. Me beijavam, feliz natal, eu na pia.
Mais louças empilhando. Pra desocupar, secava, guardava e começava tudo novamente. Mais louça. Talheres de todos os tamanhos e jeitos. Coisas que nem sei o nome.
A casa foi ficando silenciosa. Escutei apenas a conversa suave de alguns familiares na sala escura, iluminada pelas luzes de enfeites de natal e o som do meu trabalho na cozinha. Mais louça.
Xiiiiiii! Tinha me esquecido das panelas. Panelas gigantescas! Pra quê tanto exagero?? Nem um batalhão come aquele tanto de comida. De vez em quando, um ou outro chegava e dizia, tenho um presentinho... (Cruz credo!)
Mais louça! Copos, pratinhos, talheres. Não sei de onde surgiu tanta coisa pra lavar. Fui juntando os panos de prato já molhados e colocando de "molho" na pia ao lado, porque na casa da minha mãe, tem todo um esquema montado, pra sair tudo perfeito!
Fui pegando novos panos de prato, limpinhos feito algodão, como se nunca tivessem sido usados. Lá é assim...
Sempre foi assim.
Minha mãe já tinha ido se deitar, mas antes, tinha me dito para levar comida e frutas para todos nós, com fartura.
Meu pai veio dar bom dia! O relógio marcava 3h da manhã e eu na pia.
Lembrei-me do fogão!
- Deus do céu! Minha mãe não pode ver este fogão sujo. Ela não suporta sujeira!
Fui então, do meu jeito desastrado, limpar o fogão. E pra encaixar as peças depois??? Não fui preparada para isto. Tive que chamar os especialistas em montar e desmontar coisinhas. Meu sobrinho Olavo, de 2 anos, faria isto com maestria. Eu não consigo!
Foi me dando um misto de desespero, cansaço, vontade de chorar, ou de rir muito, que comecei a achar que estava delirando.
O chão estava um caos!
Lá do corredor, muito longe, minha mãe avistaria a marca de uma uva amassada. Mais desespero. O chão. O chão precisa ser limpo.
Tirei as cadeiras todas. Varri, limpei, limpei, limpei. Tentei..., tentei...
Mais louças! Voltei para a pia. Por fim, achei uma panela imensa onde o Rogério tinha feito um risoto de bacalhau. Pronto! Meu castigo estava completo. Perguntei a mim mesma o que tinha feito de tão grave para merecer aquilo? Eu detesto qualquer tipo de peixe, ou frutos do mar. O cheiro me dá náuseas. E eu fui lavar aquela panela, resignada, dizendo ao meu irmão bem baixinho, que, certamente já dormia em paz na sua casa:
- seu canalha! Estragou o meu natal com este bacalhau. Que cheiro horrível! Bacalhau não rima com natal! Que idéia de jirico.
Achei que tinha terminado. Não, não. Tinha a mesa de frutas, nozes, avelãs, chocolates, panetones. Que mesa linda e bem arrumada pra ser desarrumada depois.
"Isto eu chamo de correria atrás do vento."
Eu juro que fiz o meu melhor. Desinfetei, relimpei, juntei mais louças, guardei tudo no lugar que sabia que estava certo, pois todas as peças na casa da minha mãe se encaixam. Pra todas as coisas tem um lugar. Da panelona grande, a comida vai pra panela menor, depois pra uma vasilha média, pequena, minúscula, até a comida acabar. Tudo é milimetricamente organizado. Como ela consegue?
Ok! Cheguei aonde queria. Minha irmã era perfeccionista.
Vocês não entenderam!! Ela era PER-FEC-CIO-NIS-TA! Do tipo maluca de pedra. Roupas guardadas por cor, tamanho, livros, cd's, fitinhas k7, caixas, perfumes, utensílios, canetas, agulhas. Sim. As agulhas eram organizadas. Nós vivemos juntas até eu completar uns 16 anos, quando tivemos um violento "litigioso", porque eu joguei meus tênis ao chegar do colégio, na linha "imaginária" que pertencia a ela no quarto. Metade dela. Metade minha.
Metade céu, metade inferno!
Senti falta dela. Chorei muito, não queria que ela saísse do quarto, tinha medo de dormir sozinha, mas ela não me suportou.
Reconheço! Eu sou muito desorganizada. Mas eu sou limpinha!!! Só que isto não é o suficiente. Não pra mim. Nunca foi até o dia que antecedeu a partida dela.
Em confissão de irmãs, ela disse-me que eu era sim muito desorganizada, bagunceira, esculhambada, mas que podia contar comigo em qualquer instante da sua vida e, como aconteceu, até o momento em que partiu.
Nós éramos assim. Ela sol, eu lua. Ela tempo aberto, eu tempestade. Mas nós nos completávamos com uma perfeição que só Deus mesmo explica.
Mamãe tentou me fazer uma menina-mulher prendada. Tentou me ensinar a organizar com perfeição, costurar, cozinhar, coisas que ela já nasceu fazendo...
Eu não consegui aprender. Talvez eu não quis aprender. Afinal a Claudinha já era tão perfeita.
Mas minha mãe nunca foi de me cobrar absolutamente nada. Aliás, esta estória termina muito bem. Porque recebi um telefonema dela há pouco, dizendo-me que amou minha "arrumação".
Interessante que eu estava apavorada ontem com a aprovação dela sobre o que eu estava fazendo. E as lembranças de outrora voltaram fortes. Meu sobrinho me abraçou enquanto eu lavava a eternidade de louças e eu olhei exatamente para a rua onde passei toda minha infância e adolescência e disse:
- Bruninho, eu só queria andar de patins!!!
Quando eu era menina, que era meu dia de lavar a louça, eu não conseguia. E chorava porque não fazia direito e não estava andando de patins... (eu tentava lavar a louça com os patins nos pés!)
Assim é a nossa vida. Como pode aquela pequena gigante da minha mãe, conseguir deixar organizada uma casa tão imensa? Tudo no seu lugar? Isto é um dom.
Como pôde minha irmã deixar as suas coisas em perfeita ordem, até a hora de ir?
Como podem estas mulheres incríveis que fazem de suas casas, verdadeiras obras de arte, porque serviço de casa é coisa pra artista e pra gente muito forte!
Vou morrer sem entender.
Talvez morra sem aprender.
Honestamente não faço muita questão. Minha cabeça pensa demais em outras coisas e a louça me atrapalha a concentração.
Finalmente, devo dizer que sou fã incondicional de vocês. Em especial da minha mãe e da minha irmã. Mas não quero ser como vocês não.
Higiene sempre! Organização..., bem..., cada um que cuide do seu pedaço! Deixem o meu em paz...
Só me digam, por favor, onde está mesmo meu controle remoto e meu celular?
Gláucia Carvalho
25.12.2013
(Dedico à minha mãe e minha irmã. As mulheres mais organizadas, limpas e perfeitas que já conheci na vida!)
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