domingo, 1 de julho de 2012

Desejo

Eu queria uma coisa imensa
Como uma conchinha da praia.
Eu queria algo avassalador
Como um abraço de irmã
Para diluir esta dor.

Eu queria o deslumbre imensurável
De mergulhar no riacho
Conversando debaixo da água,
Com meus irmãos, mas não os acho.

Eu queria mais que todas as riquezas,
O colo dos meus avós
Quão pretensiosa vontade a minha
Para não me sentir sozinha.

Gláucia Carvalho
Primeiro de julho de 2012

domingo, 20 de maio de 2012

Um dia eu saio...


Quando eu não tiver mais medo eu saio.
Quando os fantasmas forem embora lá de fora.
Quando o sol não estiver queimando tanto,
Fico aqui dentro por enquanto.

Quando os medos se dissiparem eu saio,

De saia rendada, rendida pra vida,
Por enquanto eu vejo bilhões de entradas,
Mas delas não vejo nenhuma saída.

Então vou ficando aqui confortável,

Porque o medo mora lá fora,
Daqui de dentro já expurguei todo o pranto
E ele daqui foi embora.

Vou ficando aqui por enquanto,

Até que meu medo não seja mais segredo,
E os outros de mim mesma se guardem,
Já não suporto palavras duras e olhares que, queimando, me ardem.

Eu prometo! Eu vou sair um dia.

Com a primeira roupa que eu vir,
De chinelas rasteiras, bijouterias e uma terna velhice,
Que já não me prenderão mais aqui!


Eu vou sair..., um dia... eu vou sair...

Gláucia Carvalho

20.5.2012

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Dia do beijo

Dia do beijo existe?
Que estranho, se todo dia é de beijar!
Beijar o pai, a mãe, os filhos,
O dia que acaba de acordar.

Beijar mil vezes o beijo escondido,
O beijo roubado, beijo bandido,
O beijo sonhado, o beijo molhado,
O beijo de chuva, o beijo sagrado.

Beijar e beijar a vida misteriosa,
Beijar o amor na noite silenciosa,
Afinal a única linguagem universal que conheço é o beijo,
E o que desconheço dele, é o meu maior desejo...

Então, beijos universais!

Gláucia Carvalho
16.4.2012



(inspirado por minha amigona eterna Red Santos. Love you sis!)

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Gratidão

A "Via Crucis" teve mão única
O plano  perfeito com sangue escrito,
Ficou na história em negrito
Que nada poderá apagar.


Aquele que se deu em nosso lugar
Carregando nossos fardos, pecados, passados,
Limpou nosso nome, trocou nossa veste,
A Ele minha prece,
Minha pressa de gratidão!


Em dizer que me sinto até confusa
Nesta emoção difusa,
Entre não ser nada e ser filha de Deus!


Minha rendição é petição de auxílio,
Pedindo ao Pai, em nome do Filho,
Que eu viva entre o agora e o grande encontro,
Enquanto são traduzidas minhas parcas palavras,
Pelo Consolador, o Espírito Santo!


Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, Amém!


Gláucia Carvalho
5.4.12

quarta-feira, 21 de março de 2012

Todo mundo

Todo mundo me ama,
Todo mundo me chama,
Chama, chama que arde,
Já é tarde e eu estou sozinha...


Todo mundo me quer,
Todo mundo me deseja,
Enseja, enseja, nem que seja sonho,
Eles sonho. Eu sozinha...


Todo mundo me diz carícias,
Delícias, delícias, tenho medo,
É sempre segredo,
Já é cedo e eu continuo sozinha...


Todo mundo me quer,
Todo mundo me ama,
Todo mundo me deseja,
Eu acho tudo uma  peleja,
Eu sonho, sozinha...


Gláucia Carvalho
22.3.2012

Musa de ninguém

Quem foi o insano que disse,
Que eu mesma me basto.
Ah... eu me gasto, eu me casto.


Quem é a pessoa que pensa,
Que eu não gostaria de ter,
Outra pessoa do lado,
Para que eu pudesse ver.


Para que outros pudessem ver que pertenço.
Que pelo menos de alguém eu sou musa,
Sinto-me velha e cansada, 
Como meu espelho que me acusa!


Ninguém ao seu lado lady.
Ninguém para te esquentar,
Eu concordo com o espelho maldito,
Eu sempre tô sozinha por lá.


Tô sozinha por aqui e para sempre,
Até que um sonho venha me dizer,
Você é de todos e todas,
Mas a ninguém vai pertencer!

Eu eu digo novamente, espelho maldito!
Eu só queria ser comum, ser maresia,
Ele paciente refuta,
Você é amante e prisioneira da poesia!


Gláucia Carvalho
21.3.2012


(em resposta aos fantásticos poemas de Eduardo Ramos, "sobre poetas e musas."

Tempo Destemperado

O tempo, que me tempo dá,
E o mesmo que me consome,
Que me dá do céu fome,
E que não para pra descansar.

Se o tempo  me desse um tempo
Para eu poder não pensar,
Certamente eu teria menos tempo,
O tempo não pode parar.

Então eu paro com as indagações de agora,
Ao escrever o próximo verso
O meu tempo já foi embora
O meu tempo não volta mais e eu só preciso de paz.


Só preciso de sossego pra escrever apenas mais um
E dizer que sou cativa do tempo e que ele é cativo de mim,
Se eu posso fazer versos neste tempo,
Ele não é cruel, nem ruim.


Posso dizer para o tempo,
Vamos trabalhar nós dois.
Ele maroto me diz,
Faça logo, que eu já sou depois!


é... o tempo passou!


Gláucia Carvalho
21.3.2012